Estudos recentes revelam que o entusiasmo da
terceira idade com a tecnologia já se equipara ao dos mais jovens. No Brasil,
94% dos internautas com 75 anos ou mais utilizam a internet todos os dias,
sendo que 76% desse público realiza o acesso exclusivamente pelo telefone
celular.
No entanto, essa conectividade constante vem
acompanhada de um risco elevado: a confiança excessiva no conteúdo digital
torna os idosos os alvos preferenciais de golpistas.
O comportamento digital nessa faixa etária é
intenso. Segundo dados da pesquisa TIC Domicílios (2023-2024), 87% dos idosos
internautas utilizam aplicativos de mensagens instantâneas, 76% realizam
chamadas de voz ou vídeo e 37% estão ativos em redes sociais. Na prática, esse
volume de interações resulta em uma exposição perigosa a fraudes, já que muitos
usuários têm dificuldade em distinguir comunicações oficiais de tentativas de
estelionato.
Relação de “amor e ódio” e o papel da família
A realidade cotidiana de quem lida com a tecnologia
na maturidade alterna entre a utilidade e o receio. Personagens como Valdecila
Alves Soares da Silva, de 80 anos, exemplificam o perfil hiperconectado que
utiliza o WhatsApp diariamente para se comunicar com familiares e amigos. Por
outro lado, há quem resista integralmente, como Solange, de 71 anos, que se
declara “antitecnologia” e utiliza o aparelho apenas uma vez por mês para
ligações básicas, contando com a ajuda da filha como uma “anjo da guarda”
digital.
A principal barreira apontada por quem tem
dificuldade com os dispositivos é o medo de “apertar o botão errado” e sofrer
prejuízos. Diego Felix Miguel, especialista em gerontologia e presidente do
departamento de gerontologia da SBGG-SP, ressalta que os mais velhos tendem a
acreditar em boa parte do que visualizam na tela, clicando em links suspeitos
com maior frequência.

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