Os gastos administrativos para manter a máquina
pública federal em funcionamento chegaram a R$ 72,7 bilhões em 2025, o maior
valor dos últimos nove anos, segundo dados da Secretaria do Tesouro Nacional
corrigidos pela inflação. As despesas voltaram a ultrapassar a marca dos R$ 70
bilhões no terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), após
ficarem em patamar menor durante as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro.
Entre os custos que mais pressionam o orçamento
estão contas básicas e operacionais, como energia elétrica, água, tecnologia da
informação, limpeza, vigilância, combustíveis, aluguel de imóveis e veículos,
além de passagens e serviços bancários. O avanço dessas despesas tem reduzido o
espaço disponível para investimentos e programas públicos, já que fazem parte
dos chamados gastos livres do governo dentro das regras do arcabouço fiscal.
Como as despesas obrigatórias — como salários,
aposentadorias e benefícios — crescem acima do limite anual permitido, o
governo acaba comprimindo ainda mais a margem para investimentos em áreas como
infraestrutura, universidades federais, bolsas científicas, fiscalização
ambiental e programas sociais. Para 2026, o Ministério do Planejamento estima
cerca de R$ 129,2 bilhões disponíveis para gastos discricionários, dos quais
grande parte já é consumida pelo custeio da máquina.
Especialistas apontam que o cenário fiscal deve
dificultar novas iniciativas em pleno ano eleitoral. Para o economista Jeferson
Bittencourt, a combinação de despesas obrigatórias em alta e calendário
político tende a limitar ações do governo. Já Marcus Pestana, da Instituição
Fiscal Independente, avalia que o modelo atual cria uma margem “medíocre” para
investimentos, indicando um horizonte fiscal desafiador para o país.
Com informações do G1

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