A notícia da coluna de Andreza Matais, do
Metrópoles, detalhou a relação entre o ex-ministro das Comunicações, atualmente
dono do SBT News, Fábio Faria, e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Segundo o texto, Faria tentou reaproximar o banqueiro e o ministro do Supremo
Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, ainda antes de as investigações sobre o
Banco Master chegarem ao Supremo. A notícia tem até prints de mensagens (veja no
print acima).
Depois de ter comprado a participação do ministro no
resort Tayayá, por meio de um fundo de investimentos, Vorcaro se distanciou de
Dias Toffoli. A relação entre os dois, até então, era descrita como próxima. A
participação de Toffoli, por meio da Maridt Participações, foi vendida em
setembro de 2021.
Fábio Faria se dispôs a fazer a ponte. Marcou um
encontro entre os dois fora das dependências do Supremo. Mas a conversa, em vez
de ajudar, esfriou de vez a relação. Vorcaro teria ficado incomodado com um
comentário de Toffoli envolvendo outro banqueiro.
Amigo íntimo de Vorcaro, Fábio Faria aparece
inúmeras vezes em conversas resgatadas pela Polícia Federal no celular do dono
do Master. Os dois tinham negócios em comum, e o ex-ministro das Comunicações
funcionava como uma espécie de elo entre Vorcaro e o meio político.
Em uma das mensagens encontradas pela PF e relatadas
nas 200 páginas que a corporação enviou ao Supremo nesta semana, Vorcaro
informa Fábio Faria que Toffoli poderia mudar o voto em um julgamento
envolvendo ações indenizatórias decorrentes do controle estatal de preços no
setor sucroalcooleiro nas décadas de 1980 e 1990. O caso refere-se à Usina
Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP).
Fábio Faria pergunta a Vorcaro quem lhe repassou a
informação de que Toffoli votaria contra a usina. O banqueiro cita o advogado
Carlos Vieira Filho, especialista nesse tipo de causa. Ele é filho do
presidente da Caixa, Carlos Antônio Vieira Fernandes.
Faria entra nessa história por ser amigo de Toffoli
e por seu escritório negociar esse tipo de ativo, que envolve bilhões de reais.
Se votar contra a usina era mesmo a intenção do
ministro, ele mudou de posição. O julgamento terminou com os votos de Edson
Fachin, Kassio Nunes Marques e Toffoli a favor da Usina Alcídia. Gilmar Mendes
e André Mendonça ficaram vencidos.
O resultado rendeu à usina R$ 1,5 bilhão a serem
pagos pela União, considerando valores atualizados pelo IPCA, do IBGE, mais
juros de 0,5% ao ano. Vorcaro não tem papéis da Usina Alcídia.
A desconfiança sobre o posicionamento de Toffoli
baseava-se no fato de o ministro, oito meses antes, ter votado contra os
interesses de outra empresa do ramo, a Raízen Energia, em um processo idêntico
ao da Usina Alcídia.
Neste último caso, Dias Toffoli entendeu que a
Raízen, hoje controlada pelo banqueiro André Esteves, dono do BTG Pactual, não
tinha direito à indenização. A decisão fez André Esteves perder uma causa que
lhe renderia R$ 125,3 milhões, em valores corrigidos.
Entre a discussão de um caso e outro, a Segunda
Turma não tratou do tema. Ou seja, Toffoli votou de um jeito em um caso e de
forma diferente em outro, idêntico. Ambos já haviam transitado em julgado nas
instâncias inferiores.
Reunião no Supremo tratou de usinas
O assunto sobre os créditos das usinas foi tratado
na reunião entre os ministros do Supremo ontem (12/2). O encontro resultou na
saída de Toffoli da relatoria do caso Master. O ministro foi cobrado a explicar
as mensagens que envolvem seu voto no tema e que foram consideradas pela PF
como suspeitas de tráfico de influência.

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