Cláudio Oliveira
Repórter
A balança comercial do Rio Grande do Norte iniciou
2026 com saldo positivo, mas em um nível significativamente inferior ao
observado tanto no fim de 2025 quanto no início do ano passado. Em janeiro, o
estado exportou US$ 77,9 milhões, uma queda de cerca de 30% em relação ao mesmo
mês de 2025. No sentido oposto, as importações somaram US$ 56,3 milhões, com
alta de 18% na comparação anual.
Esse movimento resultou em um superávit de US$ 21,6
milhões no mês, valor que, embora positivo, evidencia um cenário menos
favorável para o comércio exterior potiguar. O saldo foi 66,5% menor que o
registrado em janeiro de 2025, quando o superávit havia alcançado US$ 64,6
milhões, refletindo a combinação de menores exportações e maior volume de
compras externas.
Em janeiro de 2025, as exportações potiguares
somaram US$ 112,3 milhões, com uma variação de 22% em relação ao mesmo período
de 2024. Já as importações tinham caído 17,9%, somando US$ 47,7 milhões frente
ao mesmo período do ano anterior. O contraste é ainda mais evidente quando se
olha para dezembro de 2025, quando o RN exportou US$ 109,2 milhões e importou
apenas US$ 34,5 milhões, o que mostra uma virada relevante no início deste ano.
Mesmo com o superávit menor, em janeiro o Rio Grande do Norte ficou na 19ª
posição no ranking nacional de exportações, respondendo por 0,34% das vendas
externas brasileiras, o que reforça a dependência do estado de poucos produtos
e mercados específicos.
A pauta exportadora potiguar começou 2026 marcada por uma mudança importante na
composição dos produtos. Conforme sua característica sazonal, as frutas e nozes
frescas ou secas seguiram como principal item, com US$ 31,4 milhões, o
equivalente a 40,3% do total exportado. Ainda assim, o segmento registrou queda
de 13,9% em relação a janeiro de 2025, ou US$ 5,1 milhões, refletindo
oscilações da demanda externa.
A principal novidade do mês foi a entrada do ouro não monetário, que respondeu
por 38,3% das exportações, com US$ 29,8 milhões. O produto não havia sido
exportado em janeiro do ano passado, tendo ganhado impulso somente no segundo
semestre, o que ajudou a amortecer parcialmente a queda global das vendas
externas do estado.
Já os óleos combustíveis, que tiveram peso relevante em 2025, despencaram em
janeiro deste ano. As exportações somaram US$ 9,5 milhões, uma queda de 84,7%
frente ao mesmo mês do ano passado, reduzindo em mais de US$ 52 milhões a
receita do estado com esse item.
Entre os principais destinos das exportações do RN, houve crescimentos
expressivos em mercados específicos, mas também quedas relevantes em parceiros
tradicionais. As vendas para o Canadá, país que liderou as compras, com US$
17,3 milhões, tiveram um crescimento superior a 2.700%. Já as transações com a
Suíça, com US$ 13,2 milhões, representam um crescimento acima de 20 mil por
cento. O aumento das exportações para esses dois parceiros coincide com o
crescimento na venda do ouro produzido no RN.
Por outro lado, mercados importantes recuaram. As vendas para os Países Baixos
(Holanda) caíram 35,9%, para US$ 12,8 milhões, enquanto Estados Unidos (-68,9%)
deixaram de comprar US$ 6,3 milhões do RN, fato que deve estar ligado ao
aumento das tarifas impostas pelo governo americano a partir do mês de julho.
As exportações para os americanos somaram apenas US$ 2,8 milhões em janeiro.
Reino Unido e Espanha também registraram retração de 10,8% e 27,7%,
respectivamente. Foram exportados US$ 7,9 milhões para o Reino Unido e US$ 7,8
milhões para os espanhóis.
Do lado das importações potiguares, o avanço em janeiro foi influenciado
principalmente pela compra de bens industriais. O principal item foi o de
geradores elétricos giratórios e suas partes, que somaram US$ 11,6 milhões,
após praticamente não aparecerem na pauta no mesmo período do ano passado. O
crescimento foi de 15.217,2%, que representa US$ 11,5 milhões.
Também tiveram peso relevante as importações de óleos combustíveis, com US$
10,5 milhões, embora com queda anual de 24,2% (US$ -3,4 milhões), além de
componentes eletrônicos, como válvulas e transistores, que cresceram quase 75%
e somaram US$ 6,7 milhões. Já o trigo e o centeio, importantes para o
abastecimento interno, mantiveram estabilidade, com leve retração (-0,6%) e US$
6,3 milhões importados.
Enquanto o Rio Grande do Norte sentiu a redução das exportações, o Brasil
apresentou um desempenho mais robusto em janeiro. A balança comercial do país
registrou superávit de US$ 4,34 bilhões, o segundo melhor resultado para meses
de janeiro da série histórica, impulsionado principalmente pela queda das
importações, que recuaram 9,8% na comparação anual.
As exportações brasileiras somaram US$ 25,15 bilhões, com leve queda de 1%, mas
ainda assim figurando como o terceiro melhor janeiro da história. No recorte
setorial, o destaque foi a agropecuária, que cresceu 2,1%, enquanto a indústria
extrativa e a de transformação tiveram leve retração.
A agropecuária registrou crescimento de 2,1% em janeiro, apesar da queda de
3,4% no volume embarcado, movimento compensado pela alta de 5,3% nos preços
médios. Já a indústria extrativa apresentou retração de 3,4%, mesmo com aumento
de 6,2% no volume, pressionada pela queda de 9,1% nos preços. Na indústria de
transformação, a redução foi mais moderada, de 0,5%, refletindo recuos tanto no
volume (0,6%) quanto nos preços médios (0,1%).
Entre os produtos, a queda das exportações foi puxada principalmente por itens
relevantes da pauta agropecuária e industrial. No campo, houve retração nas
vendas de café não torrado (-23,7%), algodão bruto (-31,2%) e trigo e centeio
não moídos (-33,6%). Na indústria extrativa, as exportações de óleos brutos de
petróleo recuaram 7,8%, enquanto o minério de ferro caiu 8,6%. Já na indústria
de transformação, os maiores impactos vieram do óxido de alumínio (-54,6%), dos
açúcares e melaços (-27,2%) e do tabaco (-50,4%).
Apesar do desempenho negativo de parte da pauta agropecuária, alguns produtos
ajudaram a atenuar as perdas. As exportações de soja cresceram 91,7% em relação
a janeiro do ano passado, impulsionadas pela antecipação de embarques, enquanto
as vendas de milho não moído avançaram 18,8% no mesmo período.
No caso do petróleo bruto, a queda nas exportações alcançou US$ 364,6 milhões
na comparação com janeiro de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento,
Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esse comportamento reflete a forte
volatilidade mensal do setor, influenciada por manutenções programadas em
plataformas.
Do lado das importações, a retração em janeiro esteve associada principalmente
à queda nas compras de petróleo e à desaceleração da atividade econômica, que
reduziu o ritmo dos investimentos. No Agro, destacaram-se as quedas nas
importações de cacau bruto ou torrado (-86,3%) e de trigo e centeio não moídos
(-35,5%). Na indústria extrativa, houve recuo nas compras de óleos brutos de
petróleo (-49,8%) e de gás natural (-15,8%). Já na indústria de transformação,
as maiores quedas foram registradas em motores e máquinas não elétricos
(-66,8%), óleos combustíveis de petróleo (-17,5%) e partes e acessórios de
veículos (-20,4%).
Projeções
Para
2026, o MDIC projeta um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90
bilhões, com exportações estimadas entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e
importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. As projeções oficiais são
atualizadas trimestralmente, e novas estimativas mais detalhadas para o ano
devem ser divulgadas em abril.
Em 2025, a balança comercial brasileira fechou com superávit de US$ 68,3
bilhões, enquanto o recorde histórico foi registrado em 2023, com resultado
positivo de US$ 98,9 bilhões. Apesar do otimismo do governo, o mercado mantém
uma visão mais conservadora. De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, a
expectativa é de que o superávit comercial em 2026 fique em torno de US$ 67,65
bilhões.
Enquanto o Brasil inicia 2026 com um saldo elevado e projeções otimistas, o
resultado potiguar indica um começo de ano mais cauteloso.
Na comparação com o cenário nacional, o desempenho
do Rio Grande do Norte evidencia uma maior vulnerabilidade às oscilações de
poucos produtos e mercados. A entrada pontual do ouro ajudou a sustentar o
superávit em janeiro, mas não compensou a retração de itens tradicionais, como
frutas e combustíveis.
Números
US$
21,6 mi
Foi o superávit registrado na balança comercial do RN em janeiro de 2026
66,5%
Foi a queda no saldo da balança comercial potiguar ante janeiro do ano passado
US$ 29,8 mi
Foi o valor exportado pelo RN em ouro, principal novidade na balança local
US$ 4,34 bi
Foi o superávit alcançado pela balança comercial brasileira em jeneiro

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