sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Exportações do RN caem 30% e superávit reduz no início de 2026

 

Cláudio Oliveira
Repórter

A balança comercial do Rio Grande do Norte iniciou 2026 com saldo positivo, mas em um nível significativamente inferior ao observado tanto no fim de 2025 quanto no início do ano passado. Em janeiro, o estado exportou US$ 77,9 milhões, uma queda de cerca de 30% em relação ao mesmo mês de 2025. No sentido oposto, as importações somaram US$ 56,3 milhões, com alta de 18% na comparação anual.

Esse movimento resultou em um superávit de US$ 21,6 milhões no mês, valor que, embora positivo, evidencia um cenário menos favorável para o comércio exterior potiguar. O saldo foi 66,5% menor que o registrado em janeiro de 2025, quando o superávit havia alcançado US$ 64,6 milhões, refletindo a combinação de menores exportações e maior volume de compras externas.

Em janeiro de 2025, as exportações potiguares somaram US$ 112,3 milhões, com uma variação de 22% em relação ao mesmo período de 2024. Já as importações tinham caído 17,9%, somando US$ 47,7 milhões frente ao mesmo período do ano anterior. O contraste é ainda mais evidente quando se olha para dezembro de 2025, quando o RN exportou US$ 109,2 milhões e importou apenas US$ 34,5 milhões, o que mostra uma virada relevante no início deste ano.

Mesmo com o superávit menor, em janeiro o Rio Grande do Norte ficou na 19ª posição no ranking nacional de exportações, respondendo por 0,34% das vendas externas brasileiras, o que reforça a dependência do estado de poucos produtos e mercados específicos.

A pauta exportadora potiguar começou 2026 marcada por uma mudança importante na composição dos produtos. Conforme sua característica sazonal, as frutas e nozes frescas ou secas seguiram como principal item, com US$ 31,4 milhões, o equivalente a 40,3% do total exportado. Ainda assim, o segmento registrou queda de 13,9% em relação a janeiro de 2025, ou US$ 5,1 milhões, refletindo oscilações da demanda externa.

A principal novidade do mês foi a entrada do ouro não monetário, que respondeu por 38,3% das exportações, com US$ 29,8 milhões. O produto não havia sido exportado em janeiro do ano passado, tendo ganhado impulso somente no segundo semestre, o que ajudou a amortecer parcialmente a queda global das vendas externas do estado.

Já os óleos combustíveis, que tiveram peso relevante em 2025, despencaram em janeiro deste ano. As exportações somaram US$ 9,5 milhões, uma queda de 84,7% frente ao mesmo mês do ano passado, reduzindo em mais de US$ 52 milhões a receita do estado com esse item.

Entre os principais destinos das exportações do RN, houve crescimentos expressivos em mercados específicos, mas também quedas relevantes em parceiros tradicionais. As vendas para o Canadá, país que liderou as compras, com US$ 17,3 milhões, tiveram um crescimento superior a 2.700%. Já as transações com a Suíça, com US$ 13,2 milhões, representam um crescimento acima de 20 mil por cento. O aumento das exportações para esses dois parceiros coincide com o crescimento na venda do ouro produzido no RN.

Por outro lado, mercados importantes recuaram. As vendas para os Países Baixos (Holanda) caíram 35,9%, para US$ 12,8 milhões, enquanto Estados Unidos (-68,9%) deixaram de comprar US$ 6,3 milhões do RN, fato que deve estar ligado ao aumento das tarifas impostas pelo governo americano a partir do mês de julho. As exportações para os americanos somaram apenas US$ 2,8 milhões em janeiro. Reino Unido e Espanha também registraram retração de 10,8% e 27,7%, respectivamente. Foram exportados US$ 7,9 milhões para o Reino Unido e US$ 7,8 milhões para os espanhóis.

Do lado das importações potiguares, o avanço em janeiro foi influenciado principalmente pela compra de bens industriais. O principal item foi o de geradores elétricos giratórios e suas partes, que somaram US$ 11,6 milhões, após praticamente não aparecerem na pauta no mesmo período do ano passado. O crescimento foi de 15.217,2%, que representa US$ 11,5 milhões.

Também tiveram peso relevante as importações de óleos combustíveis, com US$ 10,5 milhões, embora com queda anual de 24,2% (US$ -3,4 milhões), além de componentes eletrônicos, como válvulas e transistores, que cresceram quase 75% e somaram US$ 6,7 milhões. Já o trigo e o centeio, importantes para o abastecimento interno, mantiveram estabilidade, com leve retração (-0,6%) e US$ 6,3 milhões importados.

Enquanto o Rio Grande do Norte sentiu a redução das exportações, o Brasil apresentou um desempenho mais robusto em janeiro. A balança comercial do país registrou superávit de US$ 4,34 bilhões, o segundo melhor resultado para meses de janeiro da série histórica, impulsionado principalmente pela queda das importações, que recuaram 9,8% na comparação anual.

As exportações brasileiras somaram US$ 25,15 bilhões, com leve queda de 1%, mas ainda assim figurando como o terceiro melhor janeiro da história. No recorte setorial, o destaque foi a agropecuária, que cresceu 2,1%, enquanto a indústria extrativa e a de transformação tiveram leve retração.

A agropecuária registrou crescimento de 2,1% em janeiro, apesar da queda de 3,4% no volume embarcado, movimento compensado pela alta de 5,3% nos preços médios. Já a indústria extrativa apresentou retração de 3,4%, mesmo com aumento de 6,2% no volume, pressionada pela queda de 9,1% nos preços. Na indústria de transformação, a redução foi mais moderada, de 0,5%, refletindo recuos tanto no volume (0,6%) quanto nos preços médios (0,1%).

Entre os produtos, a queda das exportações foi puxada principalmente por itens relevantes da pauta agropecuária e industrial. No campo, houve retração nas vendas de café não torrado (-23,7%), algodão bruto (-31,2%) e trigo e centeio não moídos (-33,6%). Na indústria extrativa, as exportações de óleos brutos de petróleo recuaram 7,8%, enquanto o minério de ferro caiu 8,6%. Já na indústria de transformação, os maiores impactos vieram do óxido de alumínio (-54,6%), dos açúcares e melaços (-27,2%) e do tabaco (-50,4%).

Apesar do desempenho negativo de parte da pauta agropecuária, alguns produtos ajudaram a atenuar as perdas. As exportações de soja cresceram 91,7% em relação a janeiro do ano passado, impulsionadas pela antecipação de embarques, enquanto as vendas de milho não moído avançaram 18,8% no mesmo período.

No caso do petróleo bruto, a queda nas exportações alcançou US$ 364,6 milhões na comparação com janeiro de 2025. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), esse comportamento reflete a forte volatilidade mensal do setor, influenciada por manutenções programadas em plataformas.

Do lado das importações, a retração em janeiro esteve associada principalmente à queda nas compras de petróleo e à desaceleração da atividade econômica, que reduziu o ritmo dos investimentos. No Agro, destacaram-se as quedas nas importações de cacau bruto ou torrado (-86,3%) e de trigo e centeio não moídos (-35,5%). Na indústria extrativa, houve recuo nas compras de óleos brutos de petróleo (-49,8%) e de gás natural (-15,8%). Já na indústria de transformação, as maiores quedas foram registradas em motores e máquinas não elétricos (-66,8%), óleos combustíveis de petróleo (-17,5%) e partes e acessórios de veículos (-20,4%).

Projeções

Para 2026, o MDIC projeta um superávit comercial entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões, com exportações estimadas entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões e importações entre US$ 270 bilhões e US$ 290 bilhões. As projeções oficiais são atualizadas trimestralmente, e novas estimativas mais detalhadas para o ano devem ser divulgadas em abril.

Em 2025, a balança comercial brasileira fechou com superávit de US$ 68,3 bilhões, enquanto o recorde histórico foi registrado em 2023, com resultado positivo de US$ 98,9 bilhões. Apesar do otimismo do governo, o mercado mantém uma visão mais conservadora. De acordo com o Boletim Focus, do Banco Central, a expectativa é de que o superávit comercial em 2026 fique em torno de US$ 67,65 bilhões.

Enquanto o Brasil inicia 2026 com um saldo elevado e projeções otimistas, o resultado potiguar indica um começo de ano mais cauteloso.

Na comparação com o cenário nacional, o desempenho do Rio Grande do Norte evidencia uma maior vulnerabilidade às oscilações de poucos produtos e mercados. A entrada pontual do ouro ajudou a sustentar o superávit em janeiro, mas não compensou a retração de itens tradicionais, como frutas e combustíveis.

Números
US$ 21,6 mi
Foi o superávit registrado na balança comercial do RN em janeiro de 2026

66,5%
Foi a queda no saldo da balança comercial potiguar ante janeiro do ano passado

US$ 29,8 mi
Foi o valor exportado pelo RN em ouro, principal novidade na balança local

US$ 4,34 bi
Foi o superávit alcançado pela balança comercial brasileira em jeneiro

 

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