sábado, 14 de fevereiro de 2026

Diretor da PF foi a evento em Londres patrocinado pelo Master

 


No pedido de sua suspeição contra o ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), a Polícia Federal cita uma participação do ministro no evento 10 Fórum Jurídico – Brasil de Ideias. Foi realizado de 24 a 26 de abril de 2024 em Londres e patrocinado pelo Banco Master de Daniel Vorcaro. No entanto, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, também participou. Leia a íntegra da programação.

O Poder360 procurou a assessoria de imprensa da PF para perguntar quem pagou pela hospedagem e pelas passagens do diretor-geral para Londres. Também questionou se Andrei Rodrigues pretende também declarar sua suspeição no caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Segundo a apuração deste jornal digital, a participação de Toffoli no evento financiado por Vorcaro, considerado pela PF como líder de um esquema de fraude no sistema financeiro, foi um dos eixos de arguição de suspeição contra o então relator do inquérito. Para os investigadores, a participação indica uma possível relação de proximidade de Toffoli com Vorcaro.

A argumentação não menciona que outras autoridades dos Três Poderes participaram do evento, como o ministro Alexandre de Moraes e Andrei. O diretor-geral da PF ficou hospedado no hotel 5 estrelas The Peninsula London Hotel. No site do hotel, uma diária custa a partir de cerca de R$ 6.800 em uma consulta para os dias 24 a 26 de abril de 2026.

O pedido de suspeição de Toffoli consta em relatório de 200 páginas da PF enviado e levado pessoalmente por Andrei ao presidente do STF, ministro Luiz Edson Fachin, em 10 de fevereiro. O relatório foi tema de uma reunião fechada entre os 10 ministros na 5ª feira (12.fev.2026), que culminou na publicação de nota pública em que a Corte rechaça a arguição de suspeição e o ministro Toffoli saiu da relatoria do caso. No mesmo dia, o inquérito foi redistribuído para André Mendonça.

ARGUMENTOS DA PF PARA SUSPEIÇÃO

O relatório de cerca de 200 páginas preparado pela Polícia Federal sobre o ministro Dias Toffoli tinha 4 capítulos e o seu inteiro teor não foi divulgado.

O que se sabe é que o documento, considerado inepto pelo STF, tem 4 pontos:

Tayaya – a PF fala de uma relação de um investidor ligado a Vorcaro (fundador do Banco Master) que foi acionista de 2021 a fevereiro de 2025 do resort Tayaya, que pertence à família do magistrado (inclusive a ele próprio). Toffoli diz nunca ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro e que todas as transações sobre o resort estão registradas na Receita Federal;

ex-mulher do ministro – a advogada Roberta Rangel, ex-mulher de Toffoli, trabalhou no escritório de Walfrido Warde, que teve Vorcaro como cliente. Roberta esteve no escritório de 2021 a 2023, ou seja, 2 anos antes de explodir o escândalo das fraudes que o Banco Central encontrou no Master;

processo no STF – há uma troca de mensagens de texto em que o ministro aparece como um possível aliado de Vorcaro numa causa no Supremo. Ocorre que, no final, Toffoli votou de maneira diversa ao que desejava o banqueiro do Master;

eventos – a PF vê uma possível intimidade de Toffoli com Vorcaro pelo fato de o ministro ter participado de eventos patrocinados pelo Banco Master.

ENTENDAToffoli era o relator de uma das apurações relacionadas ao Master no STF, que trata principalmente da tentativa de compra da instituição pelo BRB (Banco de Brasília). O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Vorcaro.

A relatoria do ministro foi marcada por rumores e críticas.

Em 29 de novembro de 2025, Toffoli viajou de jatinho para Lima, no Peru, para ver a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo. O dono do avião é o empresário Luiz Osvaldo Pastore, que convidou também o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo e o advogado Augusto de Arruda Botelho, que integra a defesa de um dos diretores do Master. Todos são palmeirenses.

Botelho defende Luiz Antonio Bull, que foi diretor de Compliance do Master e preso na operação Compliance Zero. A divulgação do fato provocou pressão pela implementação de um código de conduta no poder Judiciário. O advogado disse em dezembro que não é funcionário público e que viajou como torcedor do clube para o qual ele torce.

Em 2 de dezembro do ano passado, Toffoli decretou sigilo sobre o pedido da defesa de Vorcaro para reconhecer a Justiça Federal como incompetente para lidar com o seu caso. O magistrado determinou o nível máximo de restrição após a divulgação de que a Corte havia recebido o pedido.

Toffoli ainda determinou que todas as novas diligências da operação Compliance Zero contra o Master sejam previamente autorizadas pelo STF. Entendeu que a investigação pode envolver pessoas com foro privilegiado e, por isso, não poderia mais ser conduzida exclusivamente pela Justiça Federal. Leia a íntegra do despacho. "Qualquer medida judicial há de ser avaliada previamente por esta Corte e não mais pela instância inferior", afirmou.

Além disso, rumores do possível envolvimento da mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, na venda do Master ao BRB ganharam força em razão da sua contratação pelo banco. Seus honorários seriam de R$ 3.646.529,77 por mês, por 36 meses. O total somado é de R$ 131.275.071,72 ao final da prestação de serviços. Essas informações foram divulgadas inicialmente pela jornalista Malu Gaspar e nunca contestadas.

O contrato entre Viviane Barci e o Master nunca foi divulgado na íntegra.

Poder 360

 

 

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