No pedido de sua suspeição contra o ministro Dias
Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), a Polícia Federal cita uma
participação do ministro no evento 10 Fórum Jurídico – Brasil de Ideias. Foi
realizado de 24 a 26 de abril de 2024 em Londres e patrocinado pelo Banco
Master de Daniel Vorcaro. No entanto, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues,
também participou. Leia a íntegra da programação.
O Poder360 procurou a assessoria de imprensa da PF
para perguntar quem pagou pela hospedagem e pelas passagens do diretor-geral
para Londres. Também questionou se Andrei Rodrigues pretende também declarar
sua suspeição no caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O
texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.
Segundo a apuração deste jornal digital, a
participação de Toffoli no evento financiado por Vorcaro, considerado pela PF
como líder de um esquema de fraude no sistema financeiro, foi um dos eixos de
arguição de suspeição contra o então relator do inquérito. Para os
investigadores, a participação indica uma possível relação de proximidade de
Toffoli com Vorcaro.
A argumentação não menciona que outras autoridades
dos Três Poderes participaram do evento, como o ministro Alexandre de Moraes e
Andrei. O diretor-geral da PF ficou hospedado no hotel 5 estrelas The Peninsula
London Hotel. No site do hotel, uma diária custa a partir de cerca de R$ 6.800
em uma consulta para os dias 24 a 26 de abril de 2026.
O pedido de suspeição de Toffoli consta em relatório
de 200 páginas da PF enviado e levado pessoalmente por Andrei ao presidente do
STF, ministro Luiz Edson Fachin, em 10 de fevereiro. O relatório foi tema de
uma reunião fechada entre os 10 ministros na 5ª feira (12.fev.2026), que
culminou na publicação de nota pública em que a Corte rechaça a arguição de
suspeição e o ministro Toffoli saiu da relatoria do caso. No mesmo dia, o
inquérito foi redistribuído para André Mendonça.
ARGUMENTOS DA PF PARA SUSPEIÇÃO
O relatório de cerca de 200 páginas preparado pela
Polícia Federal sobre o ministro Dias Toffoli tinha 4 capítulos e o seu inteiro
teor não foi divulgado.
O que se sabe é que o documento, considerado inepto
pelo STF, tem 4 pontos:
Tayaya – a PF fala de uma relação de um investidor
ligado a Vorcaro (fundador do Banco Master) que foi acionista de 2021 a
fevereiro de 2025 do resort Tayaya, que pertence à família do magistrado
(inclusive a ele próprio). Toffoli diz nunca ter recebido dinheiro diretamente
de Vorcaro e que todas as transações sobre o resort estão registradas na
Receita Federal;
ex-mulher do ministro – a advogada Roberta Rangel,
ex-mulher de Toffoli, trabalhou no escritório de Walfrido Warde, que teve
Vorcaro como cliente. Roberta esteve no escritório de 2021 a 2023, ou seja, 2
anos antes de explodir o escândalo das fraudes que o Banco Central encontrou no
Master;
processo no STF – há uma troca de mensagens de texto
em que o ministro aparece como um possível aliado de Vorcaro numa causa no
Supremo. Ocorre que, no final, Toffoli votou de maneira diversa ao que desejava
o banqueiro do Master;
eventos – a PF vê uma possível intimidade de Toffoli
com Vorcaro pelo fato de o ministro ter participado de eventos patrocinados
pelo Banco Master.
ENTENDAToffoli era o relator de uma das apurações
relacionadas ao Master no STF, que trata principalmente da tentativa de compra
da instituição pelo BRB (Banco de Brasília). O caso chegou ao Supremo por
envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que
investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome
do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a
Vorcaro.
A relatoria do ministro foi marcada por rumores e
críticas.
Em 29 de novembro de 2025, Toffoli viajou de jatinho
para Lima, no Peru, para ver a final da Libertadores entre Palmeiras e
Flamengo. O dono do avião é o empresário Luiz Osvaldo Pastore, que convidou
também o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo e o advogado Augusto de Arruda
Botelho, que integra a defesa de um dos diretores do Master. Todos são
palmeirenses.
Botelho defende Luiz Antonio Bull, que foi diretor
de Compliance do Master e preso na operação Compliance Zero. A divulgação do
fato provocou pressão pela implementação de um código de conduta no poder
Judiciário. O advogado disse em dezembro que não é funcionário público e que
viajou como torcedor do clube para o qual ele torce.
Em 2 de dezembro do ano passado, Toffoli decretou
sigilo sobre o pedido da defesa de Vorcaro para reconhecer a Justiça Federal
como incompetente para lidar com o seu caso. O magistrado determinou o nível
máximo de restrição após a divulgação de que a Corte havia recebido o pedido.
Toffoli ainda determinou que todas as novas
diligências da operação Compliance Zero contra o Master sejam previamente
autorizadas pelo STF. Entendeu que a investigação pode envolver pessoas com
foro privilegiado e, por isso, não poderia mais ser conduzida exclusivamente
pela Justiça Federal. Leia a íntegra do despacho. "Qualquer medida
judicial há de ser avaliada previamente por esta Corte e não mais pela
instância inferior", afirmou.
Além disso, rumores do possível envolvimento da
mulher de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, na venda do Master ao BRB
ganharam força em razão da sua contratação pelo banco. Seus honorários seriam
de R$ 3.646.529,77 por mês, por 36 meses. O total somado é de R$ 131.275.071,72
ao final da prestação de serviços. Essas informações foram divulgadas
inicialmente pela jornalista Malu Gaspar e nunca contestadas.
O contrato entre Viviane Barci e o Master nunca foi
divulgado na íntegra.
Poder 360
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