A CPI do Crime Organizado volta a se reunir após o
carnaval e pode votar uma série de requerimentos relacionados ao Banco Master,
entre eles convite aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) José Antonio
Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. A reunião deliberativa está marcada para
quarta-feira, dia 25 de fevereiro. Antes de votar os pedidos, os senadores
devem ouvir o ex-deputado estadual do Rio de Janeiro Thiego Raimundo dos Santos
Silva, conhecido como TH Joias.
Além do convite aos ministros do STF, os
parlamentares podem votar a convocação de parentes dos dois magistrados. O
senador Eduardo Girão (Novo-CE) quer ouvir a advogada Viviane Barci de Moraes,
mulher do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o parlamentar, ela manteve
contrato de prestação de serviços de “elevado valor econômico” com o Banco
Master.
Também há requerimentos de convocação para dois
irmãos de Dias Toffoli. José Eugênio e José Carlos são sócios do ministro em
uma empresa que vendeu a fundos ligados ao Banco Master a participação em um
resort no Paraná. Toffoli era relator do inquérito no STF sobre fraudes
financeiras no Master. Ele deixou a relatoria na última quinta-feira (12) e foi
substituído pelo ministro André Mendonça.
A CPI do Crime Organizado também pode votar
requerimentos de convite para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo,
e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa. Outro convite é para o ex-ministro
da Fazenda Guido Mantega, contratado para atuar no conselho consultivo do Banco
Master.
Resort
no Paraná
A CPI pode analisar ainda a convocação do advogado
Paulo Humberto Barbosa (REQ 141) e Mario Umberto Degani (REQ 142), primo de
Toffoli. A intenção é aprofundar as investigações sobre as transações envolvendo
o Tayayá Resort com o envolvimento dos donos do Banco Master e os familiares do
ministro Dias Toffoli.
Degani foi o fundador do Tayayá, em 1999, e teve os
irmãos José Eugênio e José Carlos Dias Toffoli como acionistas através de uma
empresa de participações junto dos fundos ligados ao Master.
Sócios
e ex-CEO
Entre os pedidos de convocação ainda estão o do
ex-CEO e sócio do Banco Master, Augusto Ferreira Lima (REQ 121), do
superintendente-executivo de Tesouraria, Alberto Félix de Oliveira Neto (REQ
123), do controlador da instituição, Daniel Vorcaro (REQ 124) e do ex-diretor
de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia Luiz Antônio Bull (REQ
125).
Também constam requerimentos para convocação de
Ângelo Antônio Ribeiro da Silva, sócio da instituição (REQ 126). Esses pedidos
foram apresentados pelos senadores Eduardo Girão e Marcos do Val
(Podemos-ES).
Eles justificam a convocação lembrando que A
Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo,
identificou que estruturas financeiras ligadas a Daniel Vorcaro e seus sócios
teriam sido usadas para lavagem de dinheiro da facção criminosa conhecida como
PCC, por meio de empresas de fachada, contratos artificiais e triangulações com
operadores da Faria Lima, incluindo transações envolvendo o Clube Atlético-MG.
Esses elementos, segundo os senadores, poderiam estar conectados à atuação do
crime organizado no sistema financeiro nacional.
“O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master,
detém 20,2% das ações da SAF do Atlético de Minas Gerais. A participação foi
adquirida por meio do FIP Galo Forte, com cerca de R$ 300 milhões investidos
entre 2023 e 2024. A origem desses recursos já era alvo de investigação do
Ministério Público de São Paulo, no desdobramento da operação Carbono Oculto,
que apura possível lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio ligados ao
PCC”, diz Marcos do Val no requerimento.
Sigilos
Além das convocações, há pedido para que o Conselho
de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) envie Relatório de Inteligência
Financeira (RIF) e que seja autorizada a transferência dos sigilos do Banco
Master S.A., referentes ao período de 1º de janeiro de 2022 a 29 de janeiro de
2026 (REQ 155). A pauta também inclui requerimento para que a Diretoria-Geral
do Senado envie informações sobre registros de entrada e saída de Augusto
Ferreira Lima nas dependências da Casa (REQ 157).
Ainda na linha de investigação patrimonial e
financeira, há requerimento à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para
envio de informações sobre ativos aeronáuticos vinculados a Daniel Vorcaro, à
empresa Viking Participações S.A. e ao Banco Master S.A. (REQ 175)
Depoimento
de TH Joias
A reunião da CPI prevê oitiva do ex-deputado
estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias. A
convocação atende ao requerimento (REQ 104/2025) do relator da CPI, senador
Alessandro Vieira (MDB-SE). Ele justificou a presença do ex-deputado à comissão
para contribuir com “um diagnóstico fidedigno” da ameaça representada pela
infiltração do crime organizado no poder público.
TH Joias foi indiciado pela Polícia Federal do Rio
de Janeiro por crimes graves ligados a facções. Ele foi preso em setembro de
2025 acusado de intermediar a compra e venda de armas para o Comando Vermelho,
além de diversas ações de favorecimento à organização criminosa.
“O suposto uso de um negócio legítimo, como o
comércio de joias, para lavar e movimentar milhões em nome dessas facções, é um
ponto de interesse central para esta CPI”, argumenta o relator.
Fonte: Agência Senado
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