A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos
Deputados aprovou nessa terça-feira (10), em menos de 10 minutos, um projeto de
lei que institui uma política nacional para facilitar o acesso de cidadãos à
primeira arma de fogo. O texto foi aprovado de forma simbólica, sem o registro
dos votos dos deputados do colegiado.
O projeto é de autoria do deputado Marcos Pollon
(PL-MS) e teve como relator o deputado Luciano Zucco (PL-RS), que apresentou um
substitutivo ao texto original. A redação inicial da proposta criava o chamado
“Programa Minha Primeira Arma”.
Segundo a justificativa do autor, o objetivo era
“democratizar a legítima defesa”, sob o argumento de que a alta carga
tributária transforma a posse de armas em um “privilégio da elite econômica”.
Entre os principais mecanismos previstos no projeto
original estavam:
Isenção de tributos federais na compra da primeira
arma;
Criação de linhas de crédito especiais em bancos públicos;
Concessão de subsídios parciais ou integrais para aquisição;
Criação de um comitê gestor interinstitucional para coordenar o programa.
No entanto, o relator apontou vícios de
inconstitucionalidade na proposta de Pollon. Segundo Zucco, o texto invadia a
competência do Poder Executivo ao criar órgãos — como o comitê gestor — e ao
prever geração de despesas, como isenções fiscais e subsídios, sem indicação de
dotação orçamentária prévia.
Para sanar os problemas jurídicos e permitir a
continuidade da tramitação, Zucco apresentou um substitutivo, que foi o texto
aprovado pela comissão.
Política Nacional de Acesso à Primeira Arma de Fogo
Em vez de instituir um programa com medidas imediatas, o novo texto cria a
“Política Nacional de Acesso à Primeira Arma de Fogo”. A proposta deixa de
estabelecer isenções automáticas e passa a fixar diretrizes gerais para
fomentar o acesso por meio de incentivos fiscais e linhas de financiamento
favorecidas, a serem regulamentadas posteriormente.
O texto aprovado também define requisitos para os
beneficiários da política. Para ter acesso, o interessado deverá:
Ser brasileiro nato ou naturalizado;
Ter a idade mínima exigida em lei;
Estar regular com a Receita Federal;
Possuir autorização válida da Polícia Federal ou do Exército;
Não possuir registro anterior de arma de fogo, caracterizando a aquisição como
a primeira.
A proposta estabelece ainda grupos que terão
prioridade na política. Entre eles estão:
Vítimas de violência doméstica com medida protetiva;
Vítimas de atentado contra a vida ou integridade física;
Residentes em zonas rurais ou áreas consideradas violentas;
Cidadãos com renda familiar de até cinco salários mínimos.
A proposta tramita em caráter conclusivo na Câmara e
ainda será analisada pelas comissões de Finanças e Tributação; e de
Constituição e Justiça e de Cidadania. Para virar lei, o texto precisará ser
aprovado pela Câmara e pelo Senado.
Com informações de R7

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