sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Bernardo Mello Franco: Sob pressão, Vorcaro vai abrir o bico?

 


Na falta de uma CPI sobre as fraudes do Banco Master, duas outras comissões convocaram Daniel Vorcaro a depor no Congresso. Ele é aguardado na próxima semana na CPI do INSS e na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado.

Pivô de um megaescândalo financeiro, Vorcaro manteve relações de simpatia, quase amor, com figurões da política e do Judiciário. Seus aliados mais notórios são homens de negócios do Centrão: o senador Ciro Nogueira, o deputado Arthur Lira, o dono de partido Antonio Rueda.

Cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel foi o maior doador de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022. Mas Vorcaro também estendeu sua rede a lulistas graduados. Ao menos dois ex-ministros, Guido Mantega e Ricardo Lewandowski, faturaram alto em consultorias ao Master.

Com tantas amizades em Brasília, o banqueiro tem potencial para se tornar um homem-bomba. Mas parece muito otimismo esperar uma explosão diante das câmeras da TV Senado

A CPI do INSS é controlada pelo Centrão, que não tem interesse em lançar seus próprios líderes na fogueira. Além disso, o grupo foi criado para investigar trambiques na Previdência. Em tese, isso permitiria ao banqueiro só responder perguntas sobre fraudes em empréstimos consignados.

Na Comissão de Assuntos Econômicos, o problema é outro. O colegiado não tem poder de polícia nem pode determinar a quebra de sigilos. Resta a disposição do senador Renan Calheiros de tocar fogo no circo e expor seus desafetos que militavam na bancada do Master.

Apesar dessas limitações, a presença de Vorcaro no Congresso pode ser um espetáculo interessante. O banqueiro está acostumado a dar ordens, ostentar e ser cortejado. Sob pressão, corre o risco de perder a pose e abrir o bico — inclusive sobre laços com ministros do Supremo.

No últimos dias, Vorcaro mandou recados de que estaria disposto a falar. Agora nem sua aparição está mais garantida. Ontem à noite, o ministro André Mendonça decidiu que ele pode permanecer em casa, no conforto da prisão domiciliar.

Bernardo Mello Franco - O Globo

 

 

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