Após um ataque a tiros
que deixou três mortos e seis pessoas feridas em Santa Rita, na
Grande João Pessoa, no último domingo (16), moradores da cidade
relataram a violência cotidiana na localidade. A Polícia Civil investiga a
chacina como sendo oriunda da disputa de facções criminosas.
Para
a TV Cabo Branco, um
morador da cidade disse que se sente inseguro e contou que teve que sair da
casa própria, onde morava, para um imóvel alugado, por conta da insegurança.
Ele não quis se identificar.
"Falta
segurança, falta tudo. Muito tiro está tendo ultimamente. Isso faz a gente sair
da nossa própria casa para pagar aluguel em lugar mais tranquilo. Já por conta
dos meus filhos não ver o que estava acontecendo frequentemente", disse.
Um outro morador, que também não quis se
identificar, comentou sobre o policiamento na cidade. Conforme ele, não há um
patrulamento recorrente.
"Santa Rita está sem segurança de nada. Em
relação ao policiamento, está muito pouco, pouco mesmo", relatou.
A Rede Paraíba entrou em contato
com a Secretaria de Segurança da Paraíba, mas até a última atualização desta
reportagem não obteve retorno.
Nesta segunda-feira (16), a Polícia Militar
confirmou que ampliou "ações preventivas" na Grande João Pessoa após
o ocorrido em Santa Rita. Nessas ações, a PM encontrou um
"acampamento" em área de mata, de forma improvisada, com barracas, vestimentos,
calçados.
Ao g1, o tenente-coronel Bruno, que
lidera a operação, informou que "é uma possibilidade" o acampamento
ter sido utilizado por suspeitos do ataque a tiros. Cerca de 20 pessoas são
suspeitas de ter realizado o ataque a tiros.
A PM informou que um "trabalho preventivo deve
continuar com rondas, abordagens e incursões em áreas consideradas de
'risco'" na Grande João Pessoa.
O ataque a tiros
O ataque a tiros resultou em três mortos e também em
seis feridos. Três
das seis pessoas que foram para o hospital por ferimentos causados em Santa
Rita continuam internadas, de acordo com Hospital de Trauma de João Pessoa,
que recebeu esses pacientes. A Polícia Civil investiga a disputa de facções
criminosas como sendo motivar do ataque.
O delegado Ivaney Ferreira, que esteve no local do
ataque a tiros, afirmou que as pessoas participavam de uma festa quando o grupo
chegou armado. Em perícia inicial, foram encontrados cerca de 50 cartuchos de
munição de diferentes calibres, entre fuzis e outros armamentos.
“(Foi) uma ação orquestrada por uma organização
criminosa. Estava sendo realizada uma festa e por volta das 4h, elementos
armados, pelo menos 20 pessoas, com fuzil 556, fuzil 762 e diversos calibres de
pistola”, disse o delegado.
Segundo ele, ao chegarem ao local, os suspeitos
atiraram contra duas pessoas, o que fez com que outros participantes tentassem
fugir, pulando o muro da residência. Há relatos de gritos com referência a uma
organização criminosa.
De acordo com o delegado, nenhuma das vítimas tinha
mandado de prisão em aberto ou registro de antecedentes criminais na
verificação inicial. O organizador da festa está entre os mortos.
"As vítimas não tinham nenhuma com mandado de
prisão em aberto. Há relato de que o pai de um deles (vítimas) o pai era
envolvido com o tráfico de drogas. (Outro) que está internado já havia sido
vítima de tentativa de homicídio", explicou.
O crime ocorreu por volta das 4h30, em uma casa
próxima ao Aeroporto Castro Pinto, e segue sendo investigado pela Polícia
Civil.
Cinco suspeitos foram presos
Cinco suspeitos de participação no ataque foram
detidos pela Polícia Militar, ainda na tarde do domingo (15), na cidade
de Bayeux. A
operação foi coordenada pelo comandante-geral da corporação, coronel Sérgio
Fonseca.
Com o grupo, foram apreendidas duas armas de fogo,
uma réplica e drogas. De acordo com a PM, os suspeitos estavam queimando o
documento de uma das vítimas e também estavam com celulares pertencentes às
pessoas atingidas.
Entre os detidos, há três adolescentes. Um dos
homens presos é o dono da casa onde os suspeitos estavam escondidos; a polícia
informou que ainda não há confirmação da participação direta dele no crime.
As investigações continuam para prender outros
suspeitos.


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