Felipe Salustino
Repórter
O preço dos aluguéis residenciais em Natal teve alta
de +3,01% em janeiro de 2026 (variação mensal), a maior entre as 22 capitais do
Brasil monitoradas pelo Índice FipeZap. Junto à capital potiguar, Belém
(+2,61%) e Manaus (+2,18%) registraram as maiores elevações país. Por outro
lado, moradores de Aracaju (-2,31%), Teresina (-0,31%) e Florianópolis (-0,19%)
viram o preço sofrer redução. A principal causa da elevação em Natal, segundo
interlocutores do setor ouvidos pela TRIBUNA DO NORTE, é a alta procura, ao
passo que a oferta de imóveis segue limitada na cidade.
O diretor-secretário do Conselho Regional de
Corretores de Imóveis do RN (Creci-RN), Moisés Marinho, explica que o índice
registrado em Natal no mês passado tem a ver com dois fatores. Um deles, é que
o mercado segurou o preço dos aluguéis residenciais em dezembro; o outro, é a
alta procura, decorrente do período de alta temporada.
“O efeito da boa procura, nesta época, é sentido não
apenas em Natal, mas também em regiões como Pipa, no litoral Sul. As pessoas
buscam aluguéis por prazos mais longos, por causa das férias, com mudança
também no perfil dos imóveis, com crescimento da procura por apartamentos com
dois ou três quartos”, disse Marinho.
Renato Gomes Netto, presidente do Sindicato da
Habitação do Rio Grande do Norte (Secovi RN), também avalia que o índice de
janeiro está relacionado à demanda do período. “Tradicionalmente, Natal é uma
cidade onde as pessoas costumam fazer suas mudanças em meses de férias, sejam
estas mudanças de pessoas que moram na cidade, mas também de quem vem de fora.
Aliado a isso, ainda continuamos carentes de imóveis residenciais disponíveis
para locação e, assim, a demanda continua maior que a oferta”, explica Netto.
“Ainda deve ser considerado que a capital potiguar
está voltando a ser protagonista como uma cidade atrativa para se morar, pois
estamos sentindo que novos negócios têm surgido por aqui, o que atrai pessoas
de outros estados e pressiona os valores dos aluguéis para cima”, completa o
presidente do Secovi RN.
Preço médio por m²
De acordo com o Índice FipeZap, o preço médio do
metro quadrado em Natal ficou em R$ 41,17, com destaque para os bairros de
Ponta Negra (valor médio de R$ 51,8), Petrópolis (R$ 46,7) e Lagoa Nova (R$
41,4).
No acumulado de 12 meses, a alta na cidade foi de
+12,47%. Neste recorte, Teresina (+20,95%), Belém (+18,14%), Cuiabá (+17,49%),
Vitória (+16,60%), João Pessoa (+14,00%) e Fortaleza (+13,12%) registraram
índices superiores aos da capital potiguar.
Já na análise por variação mensal, considerando
apenas o Nordeste, além de Natal, Maceió (índice de +1,56%), João Pessoa
(+1,19%), Fortaleza (+1,05%), Recife (+0,81%) e Salvador (+0,62%) também
apresentaram elevação no índice dos aluguéis residenciais.
O economista Helder Cavalcanti detalha que o Índice
FipeZap leva em conta a coleta de dados de anúncios para locação em portais de
imóveis. Em seguida, os valores são analisados e ponderados para calcular a
variação média dos preços de locação. “Para isso, os anúncios são filtrados, a
fim de remover duplicatas e informações inconsistentes”, pontua. Ele atribui o
índice de Natal em janeiro ao turismo e à baixa oferta de imóveis na cidade.
“Em janeiro a gente tem um aumento da procura por
imóveis para locação na cidade, influenciada principalmente pelo turismo. Mas
infelizmente ainda temos pouca disponibilidade de imóveis para aluguel em áreas
de maior procura”, avalia o economista.
Índice no país supera IPCA e IGPM
Em janeiro, o Índice FipeZAP avançou 0,65% em todo o
país, superando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que
apresentou alta de 0,33% no mês, e o Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M),
com variação de 0,41%. Em 12 meses, o FipeZAP acumula alta de 9,10% no Brasil,
também acima da inflação medida pelo IPCA no período (+4,44%) e do IGP-M, que
apresentou variação negativa de 0,91%.
O preço médio de locação nas 36 cidades pesquisadas
foi de R$ 51,40 por metro quadrado (m²) em janeiro. Apartamentos de um
dormitório concentram os valores mais elevados, com média de R$ 68,53/m². Os
imóveis de três dormitórios, por sua vez, apresentaram o menor preço médio, de
R$ 44,12/m².
Entre as capitais, Belém (R$ 63,60/m²) e São Paulo
(R$ 62,96/m²) figuraram entre as mais caras da amostra quando se leva em conta
o preço por metro quadrado. Na outra ponta, Campo Grande (R$ 28,47/m²) e
Teresina (R$ 29,59/m²) tiveram os valores médios mais baixos.
Em relação à rentabilidade dos aluguéis
residenciais, a cidade de São Paulo liderou, com variação de +8,70% em janeiro,
seguida por Belém, com alta de +8,51 e Recife, com +8,41%. Em Natal, a
rentabilidade foi de +7,55%, acima da média do país (+5,99%).

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