Por Júnior Lins
O caso do chamado 'superfungo' Candidozyma auris
(anteriormente conhecido como Candida auris) no Rio Grande do Norte ganhou novos
desdobramentos. Fontes ouvidas pelo Portal 96 informaram que a
Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) está realizando testes em
equipamentos do Hospital Central Coronel Pedro Germano, o Hospital da Polícia
Militar, em Natal, onde o primeiro paciente diagnosticado segue internado.
De acordo com as informações repassadas, exames
realizados em equipamentos hospitalares, como macas e cadeiras de rodas,
apresentaram resultado positivo para o fungo. Diante da confirmação, leitos da
unidade estariam sendo fechados como medida preventiva para evitar a
contaminação de outros pacientes.
O paciente diagnosticado permanece internado no
hospital, em isolamento, conforme já havia informado a Sesap. Ele estava em
tratamento para outra enfermidade, e o fungo foi identificado durante a
internação.
Medidas de contenção
Desde a confirmação do caso, equipes de vigilância
em saúde do estado realizam o monitoramento e o rastreio dentro da unidade
hospitalar. A presença do fungo em superfícies reforça uma das principais
características do Candidozyma auris: a capacidade de sobreviver por longos
períodos no ambiente hospitalar, aderindo a equipamentos e materiais utilizados
na assistência aos pacientes.
Segundo a Sesap, a transmissão ocorre principalmente
por contato direto, especialmente em ambientes hospitalares. Fora desse
contexto, o nível de transmissibilidade é considerado baixo.
O fechamento de leitos faz parte dos protocolos de
controle de infecção hospitalar, que incluem isolamento, reforço na
higienização e testagem de superfícies e profissionais, quando necessário.
O que é o 'superfungo'
Identificado pela primeira vez em 2009, o
Candidozyma auris é considerado uma ameaça global à saúde pública. O fungo pode
causar infecções graves, principalmente em pacientes hospitalizados e com o
sistema imunológico comprometido.
No Brasil, os primeiros registros ocorreram na
Bahia, em dezembro de 2020. Desde então, casos e surtos vêm sendo identificados
em outros estados.
Uma das maiores preocupações das autoridades
sanitárias é a resistência do fungo a diferentes classes de antifúngicos, o que
dificulta o tratamento. A taxa de mortalidade associada às infecções pode
chegar a 50%, a depender do quadro clínico do paciente. Por isso, o
micro-organismo é classificado como prioritário e crítico pela Organização
Mundial da Saúde (OMS).
Pesquisas da UFRN apontam como age
'superfungo'
Pesquisas desenvolvidas pela Universidade Federal do
Rio Grande do Norte (UFRN) também têm contribuído para o debate sobre o avanço
da resistência desse tipo de fungo.
Segundo o pesquisador Rafael Wesley Bastos, do
Programa de Pós-Graduação em Biologia Parasitária da UFRN e vice-coordenador do
Grupo de Estudo e Ações em Saúde Única, o uso de agrotóxicos pode estar
relacionado ao surgimento de fungos mais resistentes aos medicamentos usados na
medicina humana.
“Se o fungo se torna capaz de resistir ao
agrotóxico, ele pode acabar se tornando resistente também aos remédios usados
na medicina humana”, alerta o pesquisador.
Dados apresentados por ele em evento realizado na
Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu (SP), apontam que 94% dos
isolados de Candidozyma auris resistentes ao antifúngico fluconazol também
apresentavam resistência ao agrotóxico tebuconazol, amplamente utilizado na
agricultura.
As autoridades de saúde seguem monitorando o caso no
Hospital da PM e reforçam que as medidas de controle estão sendo adotadas para
impedir a disseminação do fungo na unidade.

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