A Acadêmicos de Niterói terminou na 12ª colocação no
Carnaval do Rio de Janeiro e foi rebaixada nesta quarta-feira (18 de fevereiro
de 2026). Escola estreante no Grupo Especial, a agremiação levou para a Marquês
de Sapucaí um desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT), com o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o
operário do Brasil”. Com o resultado, a escola voltará a disputar a Série Ouro
em 2027.
Antes mesmo da apuração, a Acadêmicos de Niterói já
havia sido punida por falhas na dispersão do desfile. A Liga Independente das
Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) aplicou multa de R$ 80 mil, sem
perda de pontos. A Portela também foi penalizada pelo mesmo motivo. A campeã do
Carnaval do Rio em 2026 foi a Viradouro.
O desfile trouxe referências políticas explícitas. O
ex-presidente Jair Bolsonaro foi retratado como um palhaço, com alusões à
prisão e ao uso de tornozeleira eletrônica, em referência a um episódio
ocorrido em novembro de 2025. Já o impeachment de Dilma Rousseff (PT) apareceu
logo no início, com a troca simbólica da faixa presidencial para um personagem
que representava Michel Temer (MDB), narrativa defendida por Lula e pelo PT
como um “golpe”.
Outro ponto que chamou atenção foi a ausência da
primeira-dama Janja, que desistiu de desfilar na última hora. Ela seria
destaque do último carro alegórico, mas não entrou na avenida para evitar
interpretação de campanha eleitoral antecipada. Segundo a jornalista Monique
Arruda, Janja chegou a ficar na área de concentração e depois acompanhou o
desfile de um camarote ao lado de Lula.
A escola também levou à avenida uma ala chamada
“neoconservadores em conserva”, representando grupos de oposição a Lula,
incluindo pessoas do agronegócio, defensores da ditadura militar e evangélicos.
A fantasia gerou reação imediata. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF)
criticou a ala e afirmou ser inadmissível ridicularizar um grupo religioso.
Durante o desfile, integrantes fizeram o gesto do “L
de Lula”. A escola afirmou que não houve orientação para evitar o gesto, apesar
de informações de que a recomendação teria sido feita previamente. Nos ensaios
técnicos, os instrumentos da bateria chegaram a exibir o símbolo. O resultado
final colocou um ponto final no desfile politizado: rebaixamento logo na
estreia.


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