O principal resultado até aqui da operação montada
no STF para tratar do escândalo do Banco Master é acelerar o descrédito da
instituição. Um fator que as agências de risco político internacionais já
apontam como relevante para a campanha eleitoral do ano que começa.
Nesse acentuado processo de desgaste continua sendo
decisiva a “contribuição” de alguns de seus integrantes, pois é a partir da
conduta deles que a instituição está sendo vista como um todo. Nesse sentido
foi especialmente danoso o noticiário em torno da “acareação” de implicados no
escândalo.
Nada de relevante se obteve além do que a defesa dos
investigados e esclarecimentos públicos por parte do Banco Central já haviam
dito. Mas foi devastador nesse episódio específico o espetáculo de pressa,
improvisação, caprichos e empenho pessoais de um ministro transformado em
investigador de um setor (o financeiro) do qual ele notoriamente pouco entende.
Dando ordens remotamente “de casa”, isto é, de um resort de familiares.
O efeito foi o de levantar sobre o próprio STF uma
pergunta que jamais deveria ser cogitada sobre uma Corte suprema, sobre quais
seriam no fundo seus objetivos ao se dedicar ao escândalo do Master. É aí que
entra a questão político-eleitoral: quem conseguiria “dar um jeito” – e de que
maneira – nisso tudo?
Assuntos tratados por Cortes supremas (aborto, por
exemplo) sempre fizeram parte de embates político partidários, mas o que está
em disputa agora é o próprio papel e atuação do STF. A degradação da imagem do
Supremo, ao contrário do que creem alguns de seus integrantes, não é mais uma
questão circunscrita a “golpistas” ou “direita extremista”.
É um fenômeno de grande magnitude e sedimentado
muito além das camadas de elites econômicas. Tornou-se um fator relevante na
composição do descrédito geral, e já bem antigo, em relação a instituições como
o Judiciário. É evidente que esse fator contribui diretamente para bandeiras
políticas da oposição ao atual governo, cuja existência é diretamente associada
ao STF.
Qualquer marqueteiro político reconhece que nesse
ambiente a bandeira da “defesa da democracia” tem menos força do que suspeitas
de grandes interesses pautando o comportamento de integrantes do Supremo. Como
qualquer marqueteiro político sabe, relevante aqui é a percepção pública dos
acontecimentos, pois é essa percepção o verdadeiro “fato” político.
A bandeira bolsonarista “tradicional” anti-Supremo
era vista como um arroubo radical fútil e antidemocrático. O vocabulário
político alemão, que alguns ministros conhecem bem, define o perigo do que está
acontecendo. Essa postura virou “salonsfaehig”, ou seja, tornou-se plenamente
aceitável (em tradução livre).
William Waack - Estadão
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário