sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Presidente da CPMI do INSS avalia que governo Lula sairá fragilizado

 


O presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), avalia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sairá fragilizado das oitivas e sessões da comissão. Ao Metrópoles Entrevista, na quarta-feira, ele justificou que os descontos maiores começaram no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A “maior fatia” de dinheiro desaparecido, no entanto, foi durante a gestão atual.

“A grande quantidade de dinheiro que desapareceu, despareceu no governo Lula. Mas não foi só nesse governo. Começou a ser descontado lá atrás no governo Dilma e veio aumentando no governo Temer, no final do governo Bolsonaro tivemos também uma elevação das liberações e a maior fatia no atual governo. Naturalmente, que isso desgasta o governo. Isso, sem dúvida nenhuma”, declarou.

Viana entende que o governo tem “pressa” para reembolsar os lesados pelos descontos do INSS para “diminuir o desgastes”. “Por isso que eles estão correndo para reembolsar, buscando toda uma série, inclusive, de participação na CPMI, para diminuir o desgaste. A minha visão é de que, querendo ou não, isso pode gerar politicamente, como disse, pelo menos uma indignação, porque não se fez nada para poder evitar que acontecesse essa roubalheira que foi o INSS”, afirmou.

O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano, enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas filiações de segurados.

As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.

DEBANDADA DO GOVERNO

Senadores da base governista como Renan Calheiros (MDB-AL), Otto Alencar (PSD-BA) e Omar Aziz (PSD-AM) articulam sair da CPMI do INSS com menos de uma semana de trabalho, a fim de deixar o desgaste de defender o governo para o PT, que não conseguiu impedir a oposição de eleger o presidente e o relator da comissão.

Houve uma falha de articulação do líder do Governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Dessa forma, a base não conseguiu emplacar Aziz como o presidente, tampouco colocar o deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) para relatar os trabalhos, visto que ele havia sido indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O presidente eleito, Carlos Viana, avalia que se a manobra do governo tivesse dado certo, a sensação seria de que “a sujeira iria para debaixo do tapete”. Ele diz que a comissão, com a atual composição, está bem estruturada para que não dê “respostas superficiais” à população.

“A minha avaliação é de que estava tudo já muito bem estruturado para que a CPMI não desse respostas ou desse respostas superficiais. Vamos a uma expressão popular, “a sujeira iria para debaixo do tapete”. Com a minha chegada, a independência que eu tenho, com o diálogo que eu tenho com os dois lados, existe essa possibilidade iria para “debaixo do tapete” não existe mais”, afirmou.

Metrópoles

 

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