O presidente da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) que investigará as fraudes do Instituto Nacional do Seguro
Social (INSS), Carlos Viana (Podemos-MG), avalia que o governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sairá fragilizado das oitivas e sessões da
comissão. Ao Metrópoles Entrevista, na quarta-feira, ele justificou que os
descontos maiores começaram no governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A
“maior fatia” de dinheiro desaparecido, no entanto, foi durante a gestão atual.
“A grande quantidade de dinheiro que desapareceu,
despareceu no governo Lula. Mas não foi só nesse governo. Começou a ser
descontado lá atrás no governo Dilma e veio aumentando no governo Temer, no
final do governo Bolsonaro tivemos também uma elevação das liberações e a maior
fatia no atual governo. Naturalmente, que isso desgasta o governo. Isso, sem
dúvida nenhuma”, declarou.
Viana entende que o governo tem “pressa” para
reembolsar os lesados pelos descontos do INSS para “diminuir o desgastes”. “Por
isso que eles estão correndo para reembolsar, buscando toda uma série,
inclusive, de participação na CPMI, para diminuir o desgaste. A minha visão é
de que, querendo ou não, isso pode gerar politicamente, como disse, pelo menos
uma indignação, porque não se fez nada para poder evitar que acontecesse essa
roubalheira que foi o INSS”, afirmou.
O escândalo do INSS foi revelado pelo Metrópoles em
uma série de reportagens publicadas a partir de dezembro de 2023. Três meses
depois, o portal mostrou que a arrecadação das entidades com descontos de
mensalidade de aposentados havia disparado, chegando a R$ 2 bilhões em um ano,
enquanto as associações respondiam a milhares de processos por fraude nas
filiações de segurados.
As reportagens do Metrópoles levaram à abertura de
inquérito pela Polícia Federal (PF) e abasteceram as apurações da
Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, 38 matérias do portal foram
listadas pela PF na representação que deu origem à Operação Sem Desconto,
deflagrada no dia 23/4 e que culminou nas demissões do presidente do INSS,
Alessandro Stefanutto, e do ministro da Previdência, Carlos Lupi.
DEBANDADA DO GOVERNO
Senadores da base governista como Renan Calheiros
(MDB-AL), Otto Alencar (PSD-BA) e Omar Aziz (PSD-AM) articulam sair da CPMI do
INSS com menos de uma semana de trabalho, a fim de deixar o desgaste de
defender o governo para o PT, que não conseguiu impedir a oposição de eleger o
presidente e o relator da comissão.
Houve uma falha de articulação do líder do Governo
no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP). Dessa forma, a base não
conseguiu emplacar Aziz como o presidente, tampouco colocar o deputado Ricardo
Ayres (Republicanos-TO) para relatar os trabalhos, visto que ele havia sido
indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O presidente eleito, Carlos Viana, avalia que se a
manobra do governo tivesse dado certo, a sensação seria de que “a sujeira iria
para debaixo do tapete”. Ele diz que a comissão, com a atual composição, está
bem estruturada para que não dê “respostas superficiais” à população.
“A minha avaliação é de que estava tudo já muito bem
estruturado para que a CPMI não desse respostas ou desse respostas
superficiais. Vamos a uma expressão popular, “a sujeira iria para debaixo do
tapete”. Com a minha chegada, a independência que eu tenho, com o diálogo que
eu tenho com os dois lados, existe essa possibilidade iria para “debaixo do
tapete” não existe mais”, afirmou.
Metrópoles
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