O governo Lula viu na Operação Carbono Oculto,
deflagrada nesta quinta-feira, 28, pela Polícia Federal, a oportunidade ideal
para enquadrar as fintechs sem ter de recuar, como ocorreu em janeiro.
Há tempos a Federação Brasileira de Bancos
(Febraban) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
cobravam do Ministério da Fazenda providências contra essas empresas, que não
estão sob a supervisão do Banco Central nem da Receita Federal, e têm sido
usadas para lavagem de dinheiro do crime organizado e até de bets irregulares.
A operação desta quinta-feira desmantelou um
sofisticado esquema comandado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) em uma
rede de postos de combustível, em dez Estados. As ações utilizavam fintechs,
que ficam numa espécie de limbo – sem controle das instituições –, para “lavar”
os recursos e ocultar patrimônio de origem ilícita. Em quatro anos, a fraude
movimentou R$ 52 bilhões.
Desde 2023, o governo monitorava a atuação do crime
organizado com o uso dessa estratégia. Em 29 de julho deste ano, a Febraban
chegou a enviar um ofício ao secretário da Receita Federal, Robinson
Barreirinhas, pedindo tratamento isonômico entre as instituições integrantes do
Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP) na prestação de informações. A federação
cobrava o cumprimento das normas de compliance tributário por todos.
“Dada a evolução dos serviços prestados no âmbito do
mercado financeiro, com criação e inclusão de arranjos e instituições que
passaram a integrar o Sistema Brasileiro de Pagamentos (SBP), verificamos que
há operações que não estão sujeitas aos mesmos procedimentos”, diz o texto.
No ofício, a Febraban destacou o fato de o Brasil
ser signatário de acordos internacionais que adotam procedimentos de compliance
com o objetivo de trocar informações para fins fiscais. Com esse argumento,
observou que a falta de tratamento isonômico causava prejuízo às instituições
bancárias associadas, “as quais podem sofrer restrições de acesso aos mercados
financeiros globais”.
Vinte e cinco dias antes, em 4 de julho, a OCDE
também havia mandado uma carta ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Na
correspondência, a organização relatava que os integrantes do Fórum Global
sobre Transparência e Intercâmbio de Informações para Fins Fiscais (Fórum
Global) tinham decidido incluir as fintechs no âmbito de “instituição
financeira sujeita à declaração de informações”.
Estadão
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