Dar o celular nas mãos de uma criança, como se fosse
um brinquedo, que distrai por horas a fio, pode resolver a vida atribulada dos
pais, mas tem um alto preço para a saúde dos pequenos. Uma pesquisa, publicada
na revista britânica Journal of Human Development and Capabilities, comprovou
que o acesso precoce aos aparelhos, antes dos 13 anos, traz um pacote de
consequências psíquicas ao futuro adulto, entre elas, maiores índices de ideais
suicidas, agressividade, dissociação da realidade, alucinações e baixa
autoestima.
Liderado pela neurocientista Tara Thiagarajan, foram
analisados mais de 100 mil jovens adultos, de 18 a 24 anos, usando o
instrumento Mind Health Quotient (MHQ), que é uma ferramenta de avaliação da
saúde mental, que vai de crítica a ótima. Quem adquiriu um celular aos 5 anos,
por exemplo, obteve nota 1, enquanto os que receberam o aparelho aos 13 anos
atingiram alcançaram 29 pontos a mais.
Fora o pacote de distúrbios, a pesquisadora alerta
para outros perigos, como o cyberbullying, o distúrbio do sono e problemas de
relacionamento com os familiares, ainda na infância e na adolescência. Quanto
menor a idade, maior o despreparo para enfrentar o excesso de exposição
provocada pelos algoritmos, que trazem grandes armadilhas para quem ainda não
tem malícia nem estrutura emocional.
Os autores ainda avisam que as mudanças psíquicas
provocadas pelo uso do celular podem passar despercebidas pelos pais e até
mesmo pela triagem de exames tradicionais de consultórios, pois os sintomas são
menos usuais. O distanciamento do mundo real e hostilidade emocional estão
entre alguns dos relacionados pelo estudo. Diante dos resultados, os
pesquisadores são claros e enfáticos: recomendam ação política imediata —
sugerindo restrições ao acesso de crianças menores de 13 anos a smartphones,
formação em literacia digital e responsabilização das empresas de tecnologia,
de forma análoga a regulamentações sobre tabaco e álcool. Mas enquanto isso não
chega, cabe aos pais o primeiro passo de não dar o celular antes dos 13 anos ao
filho, mesmo que os amigos da escola tenham.
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