A frase “Política é como nuvem. Você olha e ela está
de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”, dita por Magalhães Pinto, parece ter
sido escrita para o cenário político do Rio Grande do Norte em 2026.
Em janeiro, os bastidores indicavam um desenho claro para a disputa eleitoral,
mas bastaram algumas semanas para o quadro se transformar completamente.
No início do ano, as articulações apontavam para uma
oposição encabeçada pelo senador Rogério
Marinho (PL), que se apresentaria como candidato ao governo. A chapa opositora
previa o senador Styvenson
Valentim (PSDB) e o ex-prefeito de Natal Álvaro
Dias (Republicanos) disputando as vagas ao Senado.
Rogério chegou a anunciar que percorreria o RN a partir de março para consolidar
sua candidatura, mas informações recentes sugerem que seus planos mudaram.
Agora, há especulações de que ele possa assumir uma função no plano federal,
cogitando-se até mesmo sua indicação à presidência nacional do PL, cargo
relevante considerando sua atual posição como secretário-geral do partido.
Outra possibilidade que ganhou força é a de que Rogério seja indicado como vice
em uma chapa presidencial, o que o afastaria da corrida pelo governo estadual.
Com Rogério fora do páreo local, o prefeito de
Mossoró, Allyson
Bezerra (União), surge como o nome mais forte da oposição para
disputar o governo. Nesse novo desenho, a aliança oposicionista seria formada
por Allyson para o Executivo estadual, tendo Styvenson e Álvaro concorrendo ao
Senado. O movimento sinaliza uma reconfiguração significativa da oposição, com
novas alianças e estratégias em jogo.
No campo governista, o cenário também sofreu
alterações. Em janeiro, havia incerteza sobre o futuro político da governadora
Fátima Bezerra (PT), que cogitava renunciar em abril de 2026 para disputar o
Senado ou a Câmara. Com essa possível saída, o vice-governador Walter
Alves (MDB) assumiria o governo e disputaria a reeleição. No entanto,
informações recentes apontam que Walter não estaria animado com a ideia. O
presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel
Ferreira (PSDB), também não demonstra interesse em entrar na disputa.
Diante dessas indefinições, um novo nome apareceu no
cenário governista: o secretário estadual de Fazenda, Carlos
Eduardo Xavier (PT), o Cadu. Ele passou a ser cogitado como possível
candidato ao governo, representando a continuidade da gestão petista no RN. A
chapa governista se desenharia com Cadu para o governo e Fátima e a senadora
Zenaide Maia (PSD) disputando as duas vagas ao Senado. A configuração conta com
o apoio do presidente Lula (PT) e aliados nacionais, reforçando a articulação
do campo progressista no estado.
O tabuleiro político do RN segue em movimento
constante. O que parecia definido em janeiro se desfez antes mesmo das águas de
março. As negociações seguem intensas nos bastidores, com alianças sendo feitas
e desfeitas e novos nomes surgindo no jogo eleitoral. O eleitor potiguar ainda
terá muito o que observar até que as nuvens finalmente se dissipam e revelem o
verdadeiro cenário das eleições de 2026.
Agora RN
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