Tribuna do Norte
Tem início na próxima segunda-feira (24/7), o
Mutirão Processual Penal instituído pelo Conselho Nacional de Justiça junto aos
Tribunais de Justiça do país para reavaliação de prisões. A iniciativa do CNJ
visa efetivar o direito fundamental à duração razoável do processo e o caráter
excepcional da prisão antes de uma decisão condenatória final, sem
possibilidade de recursos. Busca também garantir o efetivo cumprimento da
legislação e de precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com a estratégia fomentada pelo CNJ, os
juízes criminais deverão reavaliar prisões que se enquadrem nas seguintes
hipóteses: prisões preventivas com duração maior do que um ano; gestantes, mães
e mulheres responsáveis por crianças e pessoas com deficiência presas
cautelarmente; pessoas em cumprimento de pena em regime prisional mais gravoso
do que o fixado na decisão condenatória; pessoas cumprindo pena em regime
diverso do aberto, condenadas pela prática de tráfico privilegiado (art. 33, §
4º, da Lei n. 11.343/2006).
Os mutirões ocorrerão em todo país no período de 24
de julho a 25 de agosto e foram instituídos por meio da Portaria nº 170/2023 do
CNJ.
Realidade no RN
De acordo com levantamento realizado pela comissão
instituída pelo Tribunal de Justiça do RN para acompanhamento do mutirão, no
Rio Grande do Norte, o número de pessoas que estão presas cautelarmente há mais
de um ano é de 255, conforme informações do Banco Nacional de Mandados de
Prisão.
Situações que deverão ser analisadas por juízes e
juízas durante a realização do mutirão para avaliar se tais prisões preventivas
devem ser mantidas. Atualmente, três mulheres gestantes e três lactantes estão
presas cautelarmente, de acordo com as informações recebidas pelo GMF/RN.
A comissão verificou ainda que não existem, no RN,
pessoas em cumprimento de pena nos regimes semiaberto e aberto e que estejam
alojadas em celas de regime fechado. Em relação ao número de pessoas cumprindo
pena nos regimes fechado ou semiaberto condenadas exclusivamente pela prática
de tráfico privilegiado, ou seja, condenados que forem réus primários, tiverem
bons antecedentes e não integrarem organizações criminosas, foram identificados
oito presos nessa condição.
Para Felipe Barros, juiz auxiliar da Corregedoria
Geral de Justiça e integrante da comissão, o Poder Judiciário potiguar chega
bem posicionado em relação a esses números para o mutirão. “Desde janeiro que
esses temas vêm sendo tratados pela Corregedoria e pelo Grupo de Monitoramento
e Fiscalização do Sistema Carcerário, com o apoio dos servidores e juízes da
Execução Penal, e estamos com ótimos números”.
O magistrado cita ainda que o TJRN alcançou a taxa
de convergência entre a quantidade de prisões constantes no Banco Nacional de
Mandados de Prisão e a quantidade real de presos constantes no sistema do Poder
Executivo estadual, o SIAPEN. Ou seja, após um trabalho de depuração de dados,
o BNMP hoje espelha a situação real das prisões no Rio Grande do Norte.

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