Tribuna do Norte
Recém-empossado como diretor de Planejamento do
Banco do Nordeste do Brasil (BNB), o ex-secretário de Estado do RN, Aldemir
Freire, conversou com a TRIBUNA DO NORTE sobre as ações prioritárias da nova
função, desafios e o que pretende fazer para fomentar o desenvolvimento na
região e no Rio Grande do Norte. Há três semanas no novo cargo, Freire diz
estar numa fase de “imersão” no BNB e ainda faz viagens semanais entre Natal e
Fortaleza até se estabelecer definitivamente na capital cearense, o que deve
acontecer neste mês. O ex-chefe das finanças do governo do RN diz que manterá
olhares para o Rio Grande do Norte e buscará parcerias com a governadora Fátima
Bezerra. Para este ano, ele estima que os investimentos no Rio Grande do Norte
serão de R$ 3 bilhões, cifra 11% maior do que a do ano passado. A perspectiva é
de que os recursos sejam distribuídos nas áreas de energia renovável,
tecnologia, infraestrutura, agropecuária e cultura além de ações de expansão da
carteira de microcrédito e integração entre os estados nordestinos. Ao todo, a
estimativa é de que o banco invista cerca de R$ 50 bilhões em todos os estados
em 2023. Confira a entrevista.
O sr. assumiu a nova função há três
semanas. Quais as suas primeiras impressões?
Como sertanejo, para mim é uma honra participar da
direção do principal banco de desenvolvimento regional da América Latina. É um
banco que é central para o desenvolvimento do Nordeste, do Rio Grande do Norte
e do Brasil. Eu estou assumindo a diretoria de planejamento e estou numa fase
de imersão no banco, de conhecer detalhes da diretoria, das políticas que a
diretoria, de fazer um redesenho junto com o corpo técnico, se adequando aos
novos tempos, mas eu estou encantado com o corpo técnico do banco, com a
capacidade técnica. É um instituição exemplar que além de ter seu peso como instituição
financeira de desenvolvimento, é uma instituição lucrativa.
Quais são suas prioridades?
Em primeiro lugar é preciso compreender que o banco
faz parte de uma gestão maior. O banco esteve nos últimos anos, nas gestões
anteriores da presidência da República, correndo riscos de ser incorporado por
outras instituições ou de ser vendido. O que a gente diz agora, que é uma
política de presidente Lula, é que o banco não corre mais nenhum risco nesse
sentido. A intenção do presidente é fortalecer o Banco do Nordeste como uma
instituição de desenvolvimento. Nesse cenário, em primeiro lugar é preciso que
a gente compreenda algumas questões. Uma é o desenvolvimento social e econômico
do Nordeste, então nós precisamos fortalecer as transformações econômicas da
região, ampliar investimentos em infraestrutura, investimentos em crédito
porque o banco atende desde os grandes projetos bilionários até o microcrédito.
Aliás, o banco é líder nacional na geração de oferta de microcrédito, então
hoje um dos desafios é fortalecer o papel do banco como instrumento de
desenvolvimento, inclusão social e transformação da economia. Um outro aspecto
importante é que a gente precisa reaproximar o banco das instituições públicas,
dos governos estaduais e municipais e da sociedade nordestina. O banco esteve,
nos últimos anos, distante dos entes subnacionais e a gente quer essa reaproximação.
Então, fortalecer as economias dos estados e a gente se aproximar cada vez mais
são aspectos muito importantes. Além disso, temos que nos aproximar dos
organismos produtivos, empresários, movimentos sociais, a gente quer ser um
banco mais presente no Estado, ser mais parceiro da região.
O que representa para o RN ter um
potiguar nessa pasta estratégica? O que o Estado pode esperar em termos de
investimento?
Para o Rio Grande do Norte é algo extremamente
relevante, eu acho que faz umas três décadas que o Rio Grande do Norte não
compõe a diretoria do Banco do Nordeste e essa diretoria tende a ser mais
ecleticamente regional, ou seja, ela terá a presença de vários estados dentro
da diretoria do banco para dar uma visão mais diversificada. A minha grande
intenção é estreitar cada vez mais relações do banco com o Rio Grande do Norte,
com o governo do Estado. Hoje mesmo [sexta, 2] eu tive essa agenda com a
governadora, com o ministro Wellington Dias, mas estou aproveitando para
fazer visitas a órgãos e entidades empresariais e vou voltar aqui outras vezes
para visitar empresas, entidades de trabalhadores, órgãos do governo do
estadual. A nossa intenção é que o banco reforce os investimentos aqui no
Estado. Aqui, no RN, a gente investiu R$ 2,7 bilhões no ano passado e a
perspectiva é de que a gente invista mais R$ 3 bilhões nesse ano. O banco está
num processo de crescimento, só no ano passado o banco investiu em torno de R$
44 bilhões no Nordeste e nesse ano vai ultrapassar os R$ 50 bilhões.
Que áreas receberão investimentos? O
microcrédito terá uma atenção especial?
Queremos ser um banco de investimento, mas também
queremos ser um banco que atenda ao cliente em todas as suas demandas e
necessidades. Temos projetos de grandes investimentos em infraestrutura,
agropecuária, indústria, comércio, serviços, mas há que se destacar também a
grande presença do banco no microcrédito, muitas vezes para uma população que
tem dificuldade no acesso ao crédito. E esse papel do banco como como ofertante
desse crédito para micro e pequenos é algo fundamental para o desenvolvimento
para a inclusão social e isso será fortalecido.
Alguns empresários apontam certas
dificuldades para investir e se estabelecer por aqui. Como o sr. pretende
facilitar o acesso ao crédito e desburocratizar esse processo?
Isso é um mito. Basta a gente ver os investimentos
em energias no Rio Grande do Norte, que é o líder nacional em
investimentos eólicos, então são investimentos gigantescos em que o empresário
coloca centenas de milhões de uma vez só, às vezes na casa de bilhões, por
investimentos de 20, 30 anos de de existência, então o Rio Grande do Norte é um
ambiente adequado, acolhedor e propício aos investimentos.
Nessa sua primeira agenda no RN como
diretor do BNB, o que foi discutido? Alguma cobrança específica da governadora?
É provável que o presidente do banco venha na
próxima semana. Se não vier nessa, com certeza, virá nas próximas para a gente
sentar com o governo e definir prioridades. Daqui a pouco, quando terminar essa
entrevista, vou receber o presidente da Caern, Roberto Sérgio, para a gente
discutir um financiamento no sentido de ampliar os investimentos aqui em
saneamento básico. Já andei conversando com o secretário Alexandre [Lima, da
Sedraf], e essa semana todos os secretários de agricultura familiar do Nordeste
estiveram lá no banco para discutir o Pronaf. O secretário Guilherme Saldanha
[da Sape] agendou comigo para a próxima semana lá em Fortaleza para discutir a
agricultura da região. A gente está agora com o pessoal aqui do Banco do
Nordeste discutindo o apoio à cultura com a Fundação José Augusto, na
pinacoteca do Estado. Temos várias áreas em que podemos fazer parcerias, não só
na área do financiamento. A gente vai ter financiamento na casa das centenas de
milhões de reais na infraestrutura até de alguns poucos milhares de reais no
microcrédito. Isto é, nós vamos do gigantesco até o pequenininho.
O Nordeste está na vanguarda em projetos
de produção de hidrogênio verde. Como o BNB pretende explorar esse potencial no
campo da energia limpa?
São investimentos bilionários e não é uma figura de
linguagem mesmo. O Banco do Nordeste financiou metade de todo o parque eólico
instalado no Rio Grande do Norte. Foram quase R$ 7 bilhões nessa área. Essa é
uma área cujos investimentos são literalmente bilionários. O hidrogênio verde,
por exemplo, é o grande tema do Nordeste. A economia do futuro é o hidrogênio
verde e os estados do Nordeste estão todos envolvidos, de uma forma ou de
outra, em criar seus projetos. O Rio Grande do Norte tem suas
particularidades e leva uma vantagem significativa porque tem abundância de
energia, mas estamos falando não só da produção de hidrogênio verde. Você pode
ter toda uma cadeia produtiva, toda uma indústria verde mundial, que pode se
instalar no Rio Grande do Norte a partir da energia limpa que nós temos. Temos
a possibilidade de dar um salto de qualidade na indústria do Nordeste e do Rio
Grande do Norte, se a gente aproveitar essa oferta abundante de energia limpa.
Quem
José Aldemir Freire é graduado em Economia pela
Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Servidor de carreira do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) como tecnologista em
Informações Geográficas e Estatísticas, na área de Análise Socioeconômica,
exerceu a função de chefe da Unidade Estadual do IBGE no Rio Grande do Norte,
além de ter sido secretário de Estado do Planejamento e das Finanças do Rio
Grande do Norte.

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