O fechamento de lojas-âncora aguça o temor em
comerciantes e lojistas da Cidade Alta. Até aqueles que já atuam na região há
mais de 10 anos temem que a baixa movimentação torne insustentável a manutenção
de seus negócios no centro de Natal. Essa apreensão se torna ainda mais forte
com anúncio de saída da unidade da Marisa, localizada na avenida Rio
Branco, devido a uma reestruturação na rede de lojas em todo o Brasil, bem como
outros nomes como Colombo e C&A, há pouco mais de um ano. Alguns dos
comerciantes já estudam deixar o centro caso a situação não melhore nos
próximos meses.
É o caso do comerciante Nilmax Sanderson, 38, que já
trabalha no centro há duas décadas e, nos últimos anos, escolheu ficar em
frente ao prédio da Marisa justamente para aproveitar a clientela que chegava
na loja. No entanto, estuda a possibilidade de deixar de vez a Cidade Alta,
caso a saída da unidade impacte suas vendas. “Por enquanto, eu vou ficar por
aqui, mas dependendo do que vai dar, eu sou sair para outro canto. Se eu vir
que vai cair minhas vendas, eu vou procurar a melhora para mim”, comenta.
O mesmo é repercutido por Arthur Oliveira, 32, que
tem um pequeno comércio de variedades na rua João Pessoa há 15 anos. Ele diz
que pretende avaliar a situação no restante deste ano. “A gente vai ver até o
restante do ano, porque estamos prestando atenção no que está acontecendo, que
faz cair cada vez mais o movimento”, afirma. O comerciante comenta, ainda, que
pretende ir para a Zona Norte onde, de acordo com ele, “está com um bom
movimento”, ou procurar algum ponto na Zona Sul, caso não consiga manter o
negócio aonde está.
Mesmo com a preocupação, sente esperança com a
revitalização da rua João Pessoa, iniciada na ultima segunda-feira (15)
pela Prefeitura de Natal. A promessa com a obra é revigorar o comércio do
centro. “Eu creio que dê uma melhorada no comércio, mas não sei se é só essa a
obra que vão fazer”, complementa. O trecho em obras segue interditado e,
no momento, veículos não podem trafegar pelo local e deve continuar assim até
pelo menos o mês de junho.
Cézar Ribeiro, 64, vende sapatos se valendo do
pessoal que entra nas farmácias próximas e na Marisa. Mesmo que a situação
esteja difícil, como diz, comenta que não pretende sair do centro da cidade,
aonde já está há uma década. “Eu só se que a Marisa vai fazer falta, porque a
gente aproveita esses clientes, mas eu só saio quando parar de vez mesmo”, diz.
O comerciante comenta também sobre a obra na rua ao lado, esperando que a ação
atraia o público. Tão fazendo um calçadão aí, dizendo que vai melhorar, né, que
vai puxar mais gente. Vamos esperar”, finaliza.
Outro que afirma que não deixará o centro é o
gerente, Jean Muniz, 24. Mesmo com a falta de clientes, conta que prefere
manter a animação e a loja em clima constante de festa para atrair mais
pessoas. Embora otimista, afirma que em um mês de trabalho no bairro, três
lojas vizinhas foram fechadas, o que o assusta, mesmo que mantenha a confiança.
“Tem menos de um mês e fechou três lojas aqui do lado. A tendência é fechar
mais, mas a minha eu não vou fechar”, afirma.
Pesquisa mostra diminuição em aberturas
O levantamento feito pela Junta do Rio Grande do
Norte (Jucern), mostra que há um declínio na abertura de empresas no bairro nos
ultimos cinco anos. Em 2019, foram abertas 92 empresas, já no ano seguinte, o
número cai para 89. O ano de 2021 contou com um leve aumento, pois cerca de 97
empresas foram abertas, no entanto, 2022 foi o pior ano na quantidade de
aberturas, apenas 75. Entre 2019 e 2022, houve, portanto, uma diminuição
percentual de 18,47% na quantidade de empresas abertas. Os dados
consideram ainda os MEI (Microempreendedores Individuais).
A quantidade de fechamentos foram mais estáveis,
quando comparado com o dado anterior. Os anos de 2019 e 2022 tiveram
praticamente o mesmo número, com 61 e 62, respectivamente. Por isso, o
levantamento mostra que a medida que a quantidade de empresas abertas foi
menor, o número de empresas fechadas se manteve. Em 2023, até 27 de abril, já
foram fechadas 20 empresas, cinco a mais do que as abertas no mesmo período,
com 15.
Já o setor de serviço é o que mantém os números mais
altos, de acordo com a pesquisa. Foram 752 empresas abertas no seguimento entre
2019 e 2023. O ano de 2021 contou com a maior quantidade, sendo 200 empresas.
Este ano, o número de aberturas e fechamento estão parecidos, sendo 48 e 40,
respectivamente, cerca de 16,6% a mais para novos empreendimentos do
setor.
Riachuelo vai manter loja do centro
Ao contrário do que ocorreu com a loja Marisa, a
comunicação da Riachuelo afirma que vai permanecer com funcionamento normal na
Cidade Alta. A informação foi confirmada pela empresa, nesta sexta-feira (19)
na qual tranquiliza comerciantes que atuam na região. O rumor surgiu no começo
desta semana, motivado ainda pela saída de unidades de grande redes do varejo,
bem como a constante queda de movimento no bairro. Lojistas, comerciantes e
população em geral lamentaram a possibilidade, embora nada tenha sido dito pela
empresa até ontem.
Ainda de acordo com a assessoria da empresa, em nota
enviada à TRIBUNA DO NORTE, a loja da Rua João Pessoa é estratégica para o
grupo, pois possui uma das 20 maiores operações do Brasil. "A Riachuelo
ressalta que não fechará a loja da Rua João Pessoa, 254, localizada no centro
de Natal, e afirma que a praça é estratégica para o Grupo, sendo uma das 20
maiores operações do Brasil”, afirma a comunicação.

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