Uma criança de 8 anos residente no município de Nova
Cruz foi mais uma vítima do descaso com a saúde pública do Rio Grande do Norte.
Apesar de haver uma decisão liminar em favor dela, o Estado não cumpriu a
determinação judicial a tempo, o que culminou na morte precoce da criança por
falta de leito, na última segunda-feira (31).
A paciente precisou ser internada no dia 26 de
janeiro, por complicações após um procedimento. Ela estava com rebaixamento de
consciência e dificuldade para respirar, tendo sido levada ao Hospital
Municipal Pedro Moura, em Nova Cruz, onde foi internada.
A criança necessitava de um equipamento para
auxiliar na respiração. Além disso, seus exames evidenciaram uma lesão renal
que ensejava a necessidade de se submeter a hemodiálise de urgência.
Numa verdadeira batalha pela vida, os familiares,
juntos com a equipe médica, procuraram vagas para UTI pediátrica em diversos
hospitais do estado, obtendo negativas de todos eles.
O Hospital Varella Santiago, por exemplo, informou
que não poderia receber a paciente pois não oferece o serviço de hemodiálise; o
Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) informou que não tinha material para
realizar o procedimento; e o Hospital Walfredo Gurgel informou que não estava
dispondo de nefrologista pediátrico, pois o estado não havia renovado o
contrato com o mesmo.
De acordo com o advogado Túlio Benavides,
especialista em direito médico e da saúde, após cinco dias de desespero, sem
sucesso na busca por um leito e vendo o quadro de saúde da criança se agravar,
a família procurou apoio jurídico.
O advogado atuou no plantão do Judiciário e
conseguiu a concessão da medida liminar cerca de uma hora após ter dado entrada
na Justiça. A decisão obrigava o Estado, por meio do secretário de Saúde, a
disponibilizar leito de UTI com suporte de hemodiálise para internação da
paciente, conforme solicitação médica.
Os réus foram intimados, mas falharam em fornecer o
leito para a criança em tempo hábil para salvar sua vida.
“A família está devastada e considera ingressar com
nova ação contra o estado pedindo danos morais pelo falecimento da criança”,
explica o advogado. “Essa é a triste verdade, nua e crua, sobre o descaso que
assombra a saúde pública do RN”, completa.
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