terça-feira, 25 de maio de 2021

Rio Grande do Norte ultrapassa as 6 mil mortes por Covid-19

 


Ivonete Peixoto do Nascimento Santos, de 60 anos, perdeu a vida nesta última segunda-feira (24) para a Covid-19 no município de Pendências, no interior do Rio Grande do Norte, morrendo no mesmo dia da irmã, que morava em Fortaleza.

Nesta mesma data, o secretário de Turismo do município de Tenente Ananias, Juciano Silveste, de 44 anos, também não resistiu às complicações da doença no estado.

Os dois se juntaram a mais uma triste estatística no território potiguar. Nesta terça (25), o Rio Grande do Norte ultrapassou as 6 mil mortes por Covid-19 desde o início da pandemia. Ao todo, são 6.002 óbitos, de acordo com a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), e o estado ainda tem 1.255 em investigação.

O número chega 40 dias depois do estado ter atingido os 5 mil óbitos, em 15 de abril. Essa é a segunda evolução mais rápida: das 4 mil para as 5 mil mortes, foram 29 dias de diferença.

Quando o estado pulou das primeiras 1 mil mortes registradas, em 30 de junho, para as 2 mil, em 11 de agosto, foram 43 dias, no terceiro maior período registrado. O maior espaçamento aconteceu entre 11 de agosto e 3 de janeiro, quando se passaram 187 dias para o estado avançar de 2 mil para 3 mil mortes.

O avanço da doença em 2021 é notório. Nesta última segunda-feira (24), o Rio Grande do Norte superou em 2021, com apenas cinco meses, o número de mortes pela doença na comparação com todo o ano de 2020.

Abril, com 953 mortes, e março, com 922, foram os meses mais letais da pandemia no estado. Maio, com 25 dias, tem 542 e já o quinto mês mais fatal e o com mais casos confirmados.

Momento atual

O Rio Grande do Norte está atualmente com 98% de ocupação estado dos leitos públicos de UTI - o estado está acima dos 90% desde o dia 1 de março, segundo o Regula RN, com exceção em dois dias apenas, quando bateu 89%.

Nesta terça-feira, 89 pacientes que necessitam de internação aguardavam um leito de UTI na fila de espera (entenda aqui por que há pacientes na fila mesmo sem a taxa de ocupação atingir os 100%).

O cenário é crítico, segundo os especialistas. "A gente teve uma subida muito rápida em 2020, atingindo o pico no início de junho e uma queda também um pouco acentuada, entrando numa certa normalidade no início de agosto. Em 2021, a gente tem vivido desde o final de fevereiro com mais de 1 mil casos por dia, ocupação nas UTIs acima de 90% também. Então, hoje, o cenário está muito mais crítico, na verdade", disse o pesquisador Rodrigo Silva, do Laboratório de Inovação Tecnológica em Saúde (Lais/UFRN).

A subida na curva da contaminação e das mortes é aliada à preocupação quanto ao número de leitos disponíveis.

"Estamos com 400 leitos de UTI, o que é uma estrutura extremamente robusta, liberando cerca de 40 a 60 leitos por dia, para internação. E mesmo assim, a demanda, principalmente em leitos críticos, tem se mantido num patamar que impede a internação de todos", disse o epidemiologista Ion de Andrade.

"Isso é extremamente preocupante por que mesmo que a pandemia não piore, se mantiver o fluxo atual de casos novos, do internamento, nós teremos a manutenção de uma situação como essa, de 10 a 20 pacientes novos em fila. E quando é que isso termina? Não sabemos. Então, isso é muito preocupante, porque se as condições se mantiverem como estão até junho e julho nós teremos aí uma uma crise assistencial que não vimos ano passado", acrescentou.

'Estamos no limite', diz secretário

O secretário de Saúde do RN, Cipriano Maia, afirma que a capacidade de ampliação do sistema de saúde está praticamente esgotada, por causa das limitações de pessoal e de insumos, como kits intubação, por exemplo. O secretário voltou a defender medidas de restrições.

"Nós estamos já no limite hoje. Porque se nós temos quase cem pacientes em filas de espera, não precisa esperar junho, a gente já está em uma situação de saturação, de quase colapso. Isso exige medidas desde já, como a gente vem alertando e recomendando já há algumas semanas", afirmou em entrevista à Inter TV Cabugi.

"Não temos possibilidade de abertura de novos leitos porque isso envolve equipamentos, insumos médicos, pessoal. Nós estamos no limite. A alternativa que nós temos é evitar a procura de leitos fazendo restrição de circulação, usando medidas de proteção, intensificando as ações de vigilância e controle de isolamento dos sintomáticos para que a doença diminua o seu contágio".

Evolução das mortes

 

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