As empresas do setor do turismo no Rio Grande do Norte
avaliam que o primeiro semestre de 2021 está perdido economicamente. Agora,
apesar dos atrasos na vacinação contra Covid-19, o segmento espera por uma
lenta reestruturação das atividades no último quadrimestre deste ano. Segundo
levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
(CNC), a pandemia do novo coronavírus fechou pelo menos 310 estabelecimentos
com vínculos empregatícios no setor de turismo no Rio Grande do Norte em 2020.
Entre abril de 2020 e fevereiro de 2021, o impacto das
medidas restritivas para o setor, segundo dados da Câmara Empresarial da
Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio Grande do
Norte (Fecomércio), fez com que se deixasse de circular na economia potiguar R$
1,5 bilhão. “É o gasto do turista em bares, restaurantes, passeios, ou seja, as
despesa durante a viagem”, diz Abdon Gosson, presidente da Associação
Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH).
De acordo com dados da CNC, entre março e dezembro de
2020, os gastos de turistas estrangeiros no Brasil foram de R$ 113,4 bilhões,
queda de 80% em relação ao mesmo período de 2019. O resultado negativo também
foi percebido em janeiro deste ano, quando, segundo a confederação, os gastos
desses turistas no Brasil foram de R$ 269 milhões, queda de 60% em relação a
janeiro de 2020.
A última sondagem empresarial com empresas de
hotelaria do Rio Grande do Norte mostra aumento do pessimismo do setor em 2021.
Pesquisa feita pelo Ministério do Turismo, entre os meses de julho e agosto de
2020, mostra que 94,4% desses empresários indicaram queda perdas de receitas.
“Foi setor mais fortemente atingido pela crise econômica. Acredito que 40% dos
bares e 40% dos hotéis podem fechar ainda este ano”, disse Gosson.
Para auxiliar o setor, o Governo do RN prorrogou o
prazo para pagamento do ICMS para maio. Além disso, a Agência de Fomento do Rio
Grande do Norte assegurou R$ 10 milhões em crédito para empresas com atuação
relacionada ao setor de turismo e lazer. Já a Prefeitura de Natal vai adotar a
prorrogação de prazos para que o setor de hotéis e pousadas recolha o Imposto
Sobre Serviços (ISS). A outra proposta prevê uma carência no pagamento do
Simples Nacional pelos próximos três meses.
“Precisamos ser otimistas para que o segundo semestre,
a partir de agosto ou setembro, comece a retomar as atividades. Esperamos não
retroagir mais. Em julho passado, após a primeira parada, nós fomos crescendo
gradativamente, com um bom fim de 2020. Mas aí chegou a segunda onda. O turismo
não suporta mais sofrimento”, encerrou Abdon.

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