Em março de 2021, pela primeira vez, a capital do Rio
Grande do Norte registrou mais mortes do que nascimentos, de acordo com os
dados oficiais do Portal da Transparência do Registro Civil do Brasil, cuja
série histórica começou em 2015. Em um mês, Natal teve 976 óbitos e 932
nascimentos registrados.
Os dados englobam todos os nascimentos e mortes
registrados nos cartórios. Entre janeiro e março, a capital teve 2.765
nascimentos e 2.050 óbitos. Mesmo após o início da pandemia da Covid-19, nenhum
mês havia registrado mais mortes que nascimentos.
Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a capital
registrou 408 mortes por Covid-19 em março. Portanto, a doença representaria
41,8% de todas as mortes na capital ao longo do mês.
Para o professor Flávio Freire, do Departamento de
Demografia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), o resultado é
incomum para os padrões que os cientistas acompanham ao longo da história e a
principal explicação seria a pandemia da Covid-19.
O professor ainda levantou dados históricos de 1996 a
2019. "Em nenhum desses anos houve mais mortes do que nascimentos. E essa
é a tendência esperada", ressaltou.
Se a mortalidade não cair ao longo do ano, a pandemia
poderia "antecipar" a diminuição da população antes do prazo esperado
até então pelos pesquisadores que acompanham a dinâmica populacional. Porém,
para o professor, a inversão demográfica não deverá ser prolongada.
Não há razão para acreditar que esse
efeito de mais mortes do que nascimentos seja prolongado e irreversível. Deve
ser efeito de curto prazo
— Flávio Freire, professor da UFRN
Freire disse que, no Brasil, projeções do IBGE e
também do Laboratório de Estimativas e Projeções Populacionais da UFRN, preveem
o início do processo de redução da população brasileira entre 2045 e 2050, mas
por causa da diminuição da natalidade. Em Natal, a projeção é um ainda anterior
e fica por volta de 2030. "Isso ocorreria por efeito estrutural, com as
mulheres tendo cada vez menos filhos em média cada uma, e o número relativo de
mulheres em idade fértil diminuindo", explicou.

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