O Ministério Público do Rio Grande do Norte encaminhou
ofício ao Comitê Científico do Estado solicitando que o grupo sugira a retomada
das aulas no território potiguar. O ofício, que foi encaminhado na terça-feira
30, argumenta que entidades científicas defendem a segurança do retorno, além
da educação ser um direito essencial aos jovens.
Levando em consideração posicionamentos como os do
Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Laboratório de Inovação
Tecnológica em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Norte
(LAIS/UFRN), que são favoráveis ao retorno às aulas, o Ministério Público
sugere que o Comitê Consultivo de Especialistas da SESAP para o enfrentamento
da pandemia da Covid-19 oriente o Executivo a determinar e viabilizar o retorno
às aulas presenciais nas redes pública e privada.
“As escolas devem ser as últimas a fechar e as
primeiras a reabrir em qualquer emergência ou crise humanitária. É fundamental
empreender todos os esforços necessários para que as escolas de educação básica
reabram no início deste ano escolar, em segurança. É um momento-chave que não
podemos deixar passar”, justificou o MPRN, parafraseando a carta aberta da
Unicef a prefeitos do Brasil.
No entendimento do MP, a escola não é apenas um espaço
de aprendizagem e construção de conhecimento, mas, também, “desempenha funções
fundamentais de socialização e cuidado, não se mostrando razoável que crianças
e adolescentes, notadamente, da rede pública de educação, permaneçam mais de um
ano afastadas desse espaço por ação ou omissão do Poder Público”.
“Não resta dúvida, portanto, de que a educação deve
receber prioridade de tratamento como política pública, por sua relevância como
direito social e fundamental, razão pela qual, no contexto de atividade
essencial, deve ser a primeira a retornar e a última a paralisar, e a
paralisação deve ocorrer apenas em caso de justificada necessidade sanitária”,
disse o ofício assinado por oito promotores e promotoras de Justiça.
Sobre os riscos de retorno, os promotores argumentaram
que evidências científicas colhidas por Sociedade Brasileira de Pediatria,
Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças, Centro de Prevenção de
Doenças dos Estados Unidos, Banco Interamericano de Desenvolvimento e Unicef
apontam que “as crianças acometidas pela doença não só não evoluem, em regra,
para casos graves, como também são menos transmissoras da Covid-19, assim como
que as escolas não são os principais focos de transmissão do vírus, sobretudo
quando há protocolos e planos de contingenciamento para a situação de
contaminação”.
“Considerando a necessidade de serem retomadas as
aulas escolares presenciais nas Escolas da rede pública e privada em um cenário
seguro e favorável em termos de saúde pública, solicitamos que esse insigne
Comitê emita parecer quanto à possibilidade da retomada das atividades
escolares presenciais, levando em consideração a atual situação epidemiológica
da pandemia da COVID-19 no Estado do Rio Grande do Norte, como também a
importância indiscutível dessas atividades para o desenvolvimento físico,
emocional, educacional, afetivo e social das milhares de crianças e adolescentes
do Estado do Rio Grande do Norte”, disse o ofício.

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