quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Arquidiocese de Natal confirma adesão à Campanha da Fraternidade

 


A Arquidiocese de Natal vai participar da Campanha da Fraternidade 2021, que começa nesta quarta-feira 17, e motivou algumas polêmicas com o tema “Fraternidade e Diálogo: compromisso de amor”. A Campanha, que é nacional e acontece anualmente no período entre a Quarta-feira de Cinzas e a Semana Santa, criticou em seu texto base alguns pontos como negacionismo da ciência na pandemia de Covid-19, a cultura do ódio e a violência contra mulheres, negros, indígenas e LGBTIQ+, e, por esse motivo, acabou desagradando membros da Igreja conservadores.

Uma das pessoas que não concordaram com a abordagem do texto é o diretor do Instituto Plínio Corrêa de Oliveira, Frederico Abranches Viotti, que publicou diversos vídeos em seu canal do YouTube promovendo o boicote à Campanha da Fraternidade alegando que a ação promove a “subversão dos princípios e das instituições cristãs”. Além dele, outros canais de conteúdo católico também estão criticando a Campanha, alegando um “alinhamento à esquerda” das instituições responsáveis.

O padre Robério Camilo é o Coordenador Arquidiocesano da Campanha da Fraternidade, e para ele, quem está criticando o texto da ação é a favor da violência e da intolerância.

“Alguns católicos ultraconservadores estão criando polêmica em cima do texto. É um texto lindo, que fala sobre o diálogo respeitando as diferenças. O papel da Igreja é incluir, não excluir, se não é incluísse não seria a Igreja. Quando Jesus ficou ao lado das prostitutas e dos pobres, os doutores da lei também condenaram, é a mesma coisa que está acontecendo agora”, disse.

O texto base deste ano, que traz dados do Atlas da Violência 2020 sobre violência contra pessoas LGBTIQ+, mulheres, negros e indígenas, reafirma o compromisso com os Direitos Humanos, e critica o fundamentalismo religioso, foi elaborado pelo Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (Conic), isso porque a cada cinco anos a Campanha da Fraternidade é Ecumênica, ou seja, reúne diversas denominações cristãs, não apenas a Igreja Católica.

A redação do texto foi realizada por pessoas de diferentes áreas do conhecimento, entre elas teologia, ciência política e sociologia, e depois de elaborado o texto foi avaliado por uma comissão de 8 pessoas. Após a polêmica, a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), afirmou em nota que “não se trata de um texto preparado pela comissão da CNBB”.


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