O GLOBO
O mais ambicioso projeto da Força Aérea Brasileira
(FAB), o chamado programa F-X2, entrou na quinta-feira em uma nova fase, com o
primeiro voo do Gripen NG no Brasil, batizado pela Aeronáutica como F-38E. O
caça sueco, configurado apenas para testes, voou por uma hora e três minutos,
após decolar no aeroporto de Navegantes (SC), às 14h04, e pousar no Centro de
Ensaios em Voo, na sede da Embraer, em Gavião Peixoto (SP), às 15h07. A
aeronave, que não teve contratempos em seu primeiro teste por aqui, veio da Suécia
dentro de um navio, que atracou, no último domingo, no porto do município
catarinense.
Essa é a primeira de 36 aeronaves do contrato firmado,
em 2014, com a fabricante sueca Saab para a renovação da frota brasileira, hoje
composta, majoritariamente, por caças americanos F-5, fabricados na década de
1970 e operados em cinco esquadrões, distribuídos nas regiões Norte, Sul,
Sudeste e Centro-Oeste. Os novos caças devem entrar em operação a partir do
final de 2021. O investimento da FAB é de R$ 24 bilhões, em valores
atualizados, com financiamento de 25 anos. Se o cronograma de pagamentos e de
produção for cumprido, todas as unidades estarão, em 2026, na Base Aérea de
Anápolis (GO).
— A partir desse momento, iniciaremos os ensaios em
voos no Brasil. Já fizemos alguns na Suécia. Agora, faremos conjuntamente com a
Embraer, utilizando pilotos de testes da Embraer e da Força Aérea Brasileira —
afirmou o diretor do Programa Gripen, da Saab, no Brasil, Bengt Janér.
O F-38E alcança 2.400 km/h, o que representa duas
vezes a velocidade do som. É uma aeronave multimissão, com funções de patrulha
(ar-ar), ataque (ar-terra) e ainda com capacidade de operações contra alvos
marítimos (ar-mar).
— É um caça que podemos chamar da geração 4.5 +. Ou seja, um degrau abaixo do topo. Ainda assim, podemos afirmar que é o estado da arte em termos de tecnologia em aviação — explicou Nelson Düring, especialista no setor e editor-chefe do portal Defesanet.
O programa F-X foi concebido há 20 anos. De lá pra cá,
ocorreram atrasos e controvérsias. Em 2009, já rebatizado como FX-2, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a anunciar, durante visita do
então presidente francês Nicolas Sarkozy a Brasília, a escolha pelo Dassault
Rafale. A decisão não foi chancelada pela Aeronáutica. E, em dezembro de 2013,
a ex-presidente Dilma Rousseff anunciou o acordo com a fabricante sueca, que
tem como principal destaque a transferência de tecnologia e a produção de 15
das 36 aeronaves em solo brasileiro.
— A grande virtude do programa Gripen não é só gerar
conhecimento, mas ter carga de trabalho. A participação da indústria nacional é
decisiva. Se a indústria brasileira não fizer a parte dela, nós não recebemos a
aeronave. São 62 projetos, extremamente detalhados, com transferência de
tecnologia para a indústria e para o Instituto de Tecnologia da Aeronáutica
(ITA). Cada um deles visa uma área diferente – explicou o presidente da
Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), da Aeronáutica,
Major-Brigadeiro do Ar Valter Borges Malta.
Os primeiros 13 caças serão integralmente produzidos
na Suécia. Outros oito serão fabricadas na Europa e finalizados no Brasil, que
participará ativamente da produção das unidades com dois lugares, que ainda não
haviam sido desenvolvidas na época da assinatura do contrato.


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