domingo, 4 de outubro de 2026

Raquel Landim: Hora de votar em congressistas capazes de reformar o STF

 


No julgamento sobre as relações entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, o Supremo Tribunal Federal demonstrou que é incapaz da tão desejada autocontenção.

Ao atropelar os ritos e a presidência da Corte, Moraes e sua retaguarda – os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes – deixaram evidente que o STF não consegue investigar e muito menos punir os seus próprios membros.

O Supremo está cheio de questões estruturais dos quais o caso Master é apenas um sintoma. O diagnóstico já feito por ex-ministros do próprio STF, ex-ministros da Justiça e outros especialistas. O principal problema é a sobrecarga.

Na essência, o Supremo é uma Corte constitucional, onde leis são questionadas, e por isso precisa se envolver em temas controvertidos.

Tornou-se também um tribunal de último recurso, que acumula milhares de casos de relevância financeira imensa. O número de ações elevado induz a uma série de decisões monocráticas, que quebra a característica de colegiado do órgão.

Esse imenso poder expõe os juízes a serem capturados – ou melhor dito, corrompidos – por empresários inescrupulosos como Daniel Vorcaro e tantos outros.

Por fim, o foro privilegiado arrastou para o Supremo cargos de importância política enorme, passando por mensalão, petrolão e agora Master. Isso torna o STF um ator central da política brasileira.

Para levar o Brasil adiante, é urgente uma reforma do sistema de Justiça e a adoção de código de conduta para todos os magistrados, inclusive para aqueles que estão no STF. De novo, o STF é incapaz de fazer isso sozinho. Edson Fachin tem boas intenções, mas é um presidente fraco. E Gilmar Mendes e outros são contra o código de conduta.

A resposta terá que vir do Congresso. Já circulam uma série de Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que reúnem as ideias dos notáveis da área: mandato e idade mínima para ministros do Supremo, paridade de gênero, o fim dos supersalários, entre outras.

O Congresso, particularmente o Senado, tem o dever de supervisionar o Supremo. Discute-se hoje um esforço concentrado para levar uma dessas PECs adiante entre o primeiro e o segundo turno, mas o clima político extremamente polarizado não favorece a discussão, que deve ficar para a próxima legislatura.

Por isso, é hora de prestar atenção nos votos para deputado e senador e mudar o jogo de forças no Congresso. E votar em congressistas capazes de reformar o STF. E não se fala aqui de impeachment de ministros, mas de uma mudança muito mais profunda.

Raquel Landim - Estadão

 

 

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