Fernando Azevêdo
Repórter
A produção de leite no Rio Grande do Norte alcançou
a marca de 440,2 milhões de litros em 2025, registrando um crescimento de
11,60% em relação ao ano anterior (394,5 milhões) e movimentando mais de R$
1,11 bilhão em valor de produção. A produção nacional foi de 36,68 bilhões de
litros. Os dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM) do IBGE apontam ainda
que a atividade está presente nos 167 municípios potiguares. O RN ocupa a 14ª
colocação nacional e o 6º lugar no Nordeste na produção de leite.
Entre os maiores produtores do estado destacam-se
Caicó, que lidera em valor (R$ 94,51 milhões gerados) e em volume (39,38
milhões de litros produzidos); além de Nova Cruz, com R$ 67,50 milhões (13,50
milhões de litros); Jardim de Piranhas, somando R$ 50,92 milhões (22,14 milhões
de litros); e Jucurutu, com R$ 47,88 milhões (20,82 milhões de litros).
Segundo o secretário estadual da Agricultura, da
Pecuária e da Pesca (Sape-RN), Guilherme Saldanha, a pecuária leiteira gera
emprego e renda para mais de 40 mil pessoas, que atuam diretamente ou são
beneficiadas pela atividade.
A PPM mostra que o leite representou 51,15% do total
de produtos de origem animal no RN em 2025. O conjunto de atividades desse
segmento movimentou R$ 2,18 bilhões no ano, um aumento nominal de 17,52% em
relação a 2024 (R$ 1,85 bilhão). As produções de ovos de galinha (47,79%), mel de
abelha (0,82%) e ovos de codorna (0,24%) completam a lista.
Na avaliação do Serviço Nacional de Aprendizagem
Rural (Senar-RN), entre os fatores que explicam o avanço da produção leiteira
podem estar o aumento da base produtiva, ganhos de produtividade e atuação da
assistência técnica. “Condições climáticas e disponibilidade de alimentação
para o rebanho, preços recebidos pelos produtores, investimentos realizados nos
últimos anos e capacidade de retenção e reposição de matrizes também interferem
nesse resultado”, diz o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar),
regional do Rio Grande do Norte.
Assistência técnica na bovinocultura de
leite
O
impacto da assistência técnica e da gestão no campo é sentido nas propriedades
atendidas pelo Senar. Um estudo sobre a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG)
do Senar-RN aponta que pequenas e médias propriedades leiteiras do estado
transformaram um prejuízo médio de R$ 20,69 por vaca em um lucro de R$ 56,71
após a adoção de práticas de gestão e assistência técnica.
O estudo registrou aumento de 75,2% no lucro médio
de 172 propriedades acompanhadas durante 24 meses em 35 municípios, além de
crescimento de 48,99% nas receitas. No período analisado (agosto de 2020 a
julho de 2022), os gastos médios com alimentação concentrada caíram de R$
380.694 para R$ 333.477.
A pesquisa, publicada na revista Agropecuária Científica no Semiárido,
identificou ainda redução no trabalho e na mão de obra com animais mais
eficientes, melhoria na produção de forragens e impacto social positivo na vida
das famílias rurais.
A metodologia da ATeG – que combina orientação
técnica e gestão – é aplicada pelo Senar em 161 municípios do RN, atendendo a
cerca de 4.473 produtores rurais.
“Mesmo nos anos de seca, quando o setor agropecuário
como um todo fica prejudicado, o trabalho de ATeG se torna essencial para
amenizar os efeitos que o clima provoca nas produções, tornando a dificuldade
ainda menor”, aponta o Senar-RN.
Luís Felipe, analista técnico do Sebrae-RN, avalia
que a junção de assistência técnica e gestão traz resultados positivos nas
propriedades. “Não se trata apenas de aumentar a quantidade de leite produzido,
e sim de o produtor conhecer melhor seus custos, acompanhar seus indicadores,
planejar a propriedade e tomar melhores decisões”, diz, ao abordar o estudo.
Entre as ações desenvolvidas pelo Sebrae-RN no
fomento à cadeia leiteira potiguar, o analista destaca o Hub do Leite, criado
neste ano com o intuito de conectar produtores aos demais eixos do setor
produtivo e acadêmico. “Temos produtores, indústrias, universidades,
pesquisadores, estudantes, técnicos e instituições como Sebrae e Senar”,
explica Luís.
Para ele, a assistência técnica é uma das principais
ferramentas para transformar as cadeias produtivas do agro. “Quando os técnicos
entram em uma propriedade e começam a trabalhar alimentação, genética,
reprodução, qualidade do leite e gestão, muitas vezes conseguimos evoluir
significativamente”, afirma.
Fortalecimento da atividade
De
acordo com Guilherme Saldanha, o Governo do Estado incentiva a atividade e
acompanha o crescimento da produção de leite no RN. “O Estado, nesses últimos
sete anos, tem feito ações desde regulamentação, questões fiscais de redução e
isenção de impostos e programas como distribuição de palma forrageira de graça
para os produtores”, cita o secretário.
Túlio Veras, presidente do Sindicato das Indústrias
de Leite e Produtos Derivados do RN (Sindleite-RN), diz que é preciso avançar
na competitividade do setor. “Há necessidade da implantação de um planejamento
forrageiro para o estado. Temos um El Niño atuando fortemente e já se veem seus
impactos [...] Precisamos otimizar o uso das águas, para produzir alimentos
para não termos baixa nos rebanhos”, afirma.
Segundo ele, mais de 22 mil unidades produzem leite no RN, mas a produtividade
por vaca ordenhada é baixa – enquanto a média no Brasil é de 2.560 litros por
vaca em lactação, no RN, é de 1.520 litros. “Inovar é preciso. Implantar
ordenha mecânica e tanques de resfriamento de leite é necessário”, aponta Túlio
Veras.
Pecuária de leite
- Produção
de leite no Nordeste (2025) - (Em mil litros)
Pernambuco: 1.529.537
Ceará: 1.298.495
Bahia: 1.229.664
Sergipe: 701.328
Alagoas: 579.766
Rio Grande do Norte: 440.261
Maranhão: 412.160
Paraíba: 358.398
Piauí: 71.003
- Principais
cidades produtoras do RN (2025) - (Em mil litros)
Caicó: 39.382
Jardim de Piranhas: 22.140
Jucurutu: 20.820
Nova Cruz: 13.500
São João do Sabugi: 13.432
Cruzeta: 12.554
Ouro Branco: 12.236
Santana do Matos: 11.995
Mossoró: 11.869
Jardim do Seridó: 11.384
Fonte: IBGE

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