A revista Veja divulgou neste sábado (17), detalhes
de uma perícia sobre cinco áudios atribuídos a Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco
Master, nos quais ele relata supostos pagamentos ligados à produção de um
documentário sobre Lula e ao Instituto Lula. O laudo concluiu que a voz é
compatível com a de Vorcaro e não encontrou sinais técnicos de edição ou
manipulação.
Nas gravações, o ex-banqueiro afirma que os
pagamentos seriam uma espécie de “pedágio” para obter acesso a fundos de pensão
de estatais.
O laudo foi assinado pelo perito Leocadio Casanova,
que analisou a voz e a integridade dos arquivos. Segundo o documento, os
áudios “não apresentam qualquer elemento técnico indicativo de montagem,
edição, corte, inserção, reordenação, síntese ou manipulação de voz por
inteligência artificial”. A autenticidade também foi reconhecida pelo advogado
de Vorcaro, Daniel Bialski, e pela irmã do ex-banqueiro, Natália Vorcaro.
A revista informou que submeteu o material a exames
técnicos antes de divulgá-lo.
Na reportagem, Veja afirma que Vorcaro teria
relatado o pagamento de R$ 30 milhões para ajudar a financiar um documentário
sobre Lula, dirigido por Oliver Stone, além de uma quantia não especificada ao
Instituto Lula.
O ex-banqueiro também teria mencionado reuniões com
o então ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e encontros em
instituições como Postalis, Previ e Petros para tratar de um negócio que
renderia R$ 10 bilhões ao Master.
Segundo a Veja, Vorcaro teria dito que pagaria aos
operadores uma propina equivalente a 10% do valor obtido com o negócio
Essas alegações, porém, não foram confirmadas pelas
autoridades como conteúdo formal de uma colaboração premiada.
Após a divulgação dos áudios, a Polícia Federal
afirmou que Vorcaro “não prestou depoimento com o teor relatado na matéria,
tampouco entregou à instituição anexos, documentos ou informações com o
conteúdo ali descrito”.
A corporação também informou que a proposta de
delação foi recusada por ser considerada insuficiente e não apresentar
novidades.
Investigadores suspeitam que a gravação tenha sido
feita na prisão e devem abrir uma apuração sobre sua origem. A confirmação
técnica da voz e da integridade dos arquivos não comprova, por si só, a
veracidade das alegações feitas na gravação.
O ANTAGONISTA

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