Vou me repetir, mas a realidade brasileira é
redundante: Lula continua o mesmo enganador de sempre, como se pôde constatar
pela enésima vez na sabatina de segundo turno da Rede Globo.
Ao negar que o reajuste do Bolsa Família, anunciado
em cima do primeiro turno, tenha sido jogada eleitoreira, o chefão petista teve
a pachorra de dizer que não sabia que o programa assistencialista, a maior
vitrine do seu populismo, estava sem reajuste havia mais de três anos e meio.
Daí a urgência de fazê-lo.
Como assim o pai dos pobres não sabia? Mentira,
claro, mas ficou por isso mesmo.
Outra mentira para enganar o populacho: a de que é
favorável à redução da maioridade penal para 16 anos. A apresentadora não
escondeu o espanto diante da lorota.
Indagado sobre a manobra de Flávio Dino para impedir
que Alexandre de Moraes saísse na condição de investigado daquela sessão
vergonhosa no Supremo Tribunal Federal, Lula foi incapaz de recriminar o
ministro mais implicado no caso Master. Saiu-se com aquelas generalidades de
sempre sobre punir culpados etc.
Aliás, o chefão petista viu-se poupado de responder
sobre o jantar secreto na casa de Moraes, com a presença também de Cristiano
Zanin, organizado para reaproximá-lo de Davi Alcolumbre, figura-chave para
destravar a pauta eleitoreira.
É que, no Brasil, jornalismo sério não se mistura
mais com as questões que importam.
Ao ser confrontado com o buraco negro das contas
públicas, Lula respondeu que déficit fiscal se combate com crescimento
econômico e ponto final. Ou seja, na hipótese de ser reeleito, não haverá corte
de gastos governamentais.
Corremos, assim, o risco de ter por mais quatro anos
um mentecapto econômico na Presidência da República. Um mentecapto convicto.
Nunca tanta gente foi tão enganada por tanto tempo — e por tão pouco.
No dia seguinte à sabatina, Lula apareceu no Senado
para fazer foto de vitorioso , ao lado de Davi Alcolumbre, na promulgação da
PEC do fim da escala 6×1.Quem estava ali não era o presidente, era o candidato.
A imagem é da degradação institucional da qual não há saída à vista.
MARIO SABINO - METRÓPOLES

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