quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Ao apoiar fim da escala 6x1, Flávio Bolsonaro esvazia a principal "pauta positiva" de Lula na campanha




A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de votar a favor da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1 retira do governo Lula (PT) uma de suas últimas armas eleitorais a 11 dias do segundo turno. A medida, aprovada em primeiro turno nesta quarta-feira (14) no Senado, era tratada pelo Planalto como a principal "pauta positiva" para tentar reverter a desvantagem nas pesquisas: ao anunciar o apoio ao projeto, o adversário petista neutraliza o efeito político que o governo esperava colher com a proposta.

"A maioria dos trabalhadores brasileiros quer o fim da escala 6x1. Então, vou votar a favor. Só que a gente defende algo ainda melhor", disse Flávio Bolsonaro na terça-feira (13), após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar.

A mudança de posição é abrupta. Até poucos dias antes, o senador classificava a discussão da PEC durante o período eleitoral como "inoportuna" e chegou a chamá-la de "hipocrisia" e "solução fácil", defendendo em seu lugar uma proposta alternativa do coordenador de sua campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN), que previa remuneração proporcional por hora trabalhada. O recuo expõe o cálculo eleitoral por trás da virada: evitar que o tema vire combustível exclusivo da candidatura de Lula na reta final da disputa.

O efeito prático é imediato. Ao liberar a bancada do PL para votar livremente a matéria, o partido converteu o que seria um contraste de campanha — Lula a favor, Flávio contra — em consenso entre os dois presidenciáveis. Sem diferença a explorar, o governo perde o argumento de que apenas sua candidatura representaria avanço para o trabalhador, justamente no momento em que mais precisava de fatos novos para tentar a virada nas pesquisas.

 

 

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