A proibição das bets anunciada pelo governo Lula
pode ampliar o mercado clandestino, deixar apostadores sem qualquer proteção e
ainda abrir um rombo na arrecadação pública. O alerta é de especialistas e
entidades do setor ouvidos pelo jornal O Globo.
O economista Flávio Ataliba, pesquisador da FGV
Ibre, afirma que a proibição feita de forma abrupta tende a atingir justamente
quem já enfrenta compulsão. “Quem migra para os sites ilegais são as pessoas
mais compulsivas na hora de jogar. Não é o apostador casual que migra. Você
está intensificando o problema justamente para quem já precisava de ajuda”,
explicou.
A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL)
calcula que 41% das apostas feitas atualmente no Brasil já ocorrem em
plataformas ilegais. Com a proibição dos cassinos virtuais, a entidade estima
que esse percentual pode saltar para algo entre 78% e 82%. Nesses sites, não há
fiscalização, verificação de identidade, limites de depósitos ou ferramentas de
autoexclusão.
O governo também poderá enfrentar uma enxurrada de
ações judiciais. As 85 empresas autorizadas pagaram R$ 30 milhões cada por
licenças com validade de cinco anos. Estudo da LCA Consultoria, encomendado
pelo Instituto Brasileiro de Jogo Responsável, calcula um risco jurídico mínimo
de R$ 2,55 bilhões, correspondente apenas às outorgas pagas pelas operadoras.
Com informações de O Globo

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