A reunião extraordinária marcada pelo Supremo
Tribunal Federal para a próxima terça-feira (15) ultrapassa o destino do
ministro Alexandre de Moraes e inaugura um marco inédito na história da Corte:
a deliberação coletiva sobre a possibilidade de um magistrado ser formalmente
investigado.
O clima interno é de alerta máximo sob o receio de
um efeito dominó, resumido nos corredores pelo aviso de que, “se puxar um, vai
ser um arrastão”. O escândalo gira em torno das conexões com o banqueiro Daniel
Vorcaro e o Banco Master, prometendo uma sessão tensa apelidada nos bastidores
de “Jogos Vorazes”.
Os Três Eixos da Investigação Coletiva
A pauta do plenário colocará sob escrutínio a
conduta de outros três ministros citados em ramificações do caso:
André Mendonça
O atual relator do caso Master enfrenta
questionamentos sobre sua permanência na condução dos processos. Pesa contra
ele a revelação de que recebeu Vorcaro em seu escritório particular para
discutir precatórios que tramitavam no tribunal, somada às acusações de Moraes
sobre eventual perda de imparcialidade.
Kássio Nunes Marques
Alvo de apurações sobre mensagens encontradas no
celular do banqueiro. O foco recai também sobre repasses financeiros: seu
filho, Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, recebeu R$ 281,6 mil entre 2024 e
2025 da Consult Inteligência Tributária, empresa que faturou R$ 6,6 milhões do
Banco Master no mesmo período. Kevin acumulou R$ 27,7 milhões em fundos de
investimentos.
Luiz Fux
Questionado sobre sua isenção para julgar Moraes
devido a vínculos de seu filho, Rodrigo Fux, com Vorcaro. Registros apontam que
Rodrigo esteve na área VIP do camarote Alma Rio, na Sapucaí, a convite do
banqueiro, além de ter participado de uma degustação exclusiva de uísque em
Nova York custeada por ele.
Movimentos de Fachin e Desdobramentos no
Plenário
A decisão do ministro Edson Fachin de agendar o
plenário para a próxima semana foi vista internamente com alívio sob o
argumento de que “as coisas precisam acontecer”. A manutenção de Andrei
Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal também foi bem recebida para
evitar um vácuo de poder e descontrole institucional.
Apesar disso, Fachin enfrentará pressões para atrair
o inquérito do Banco Master para o Plenário, tirando-o da Segunda Turma e
abrindo caminho para o sorteio de um novo relator.
Outro ponto de tensão envolve a presença física de
Alexandre de Moraes e André Mendonça na sessão, cujo confronto direto é
avaliado por ministros como um risco de grande instabilidade.
Com informações da coluna Andreza Matais
/ Metrópoles
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