A crise envolvendo as investigações do Banco Master
provocou um confronto direto entre o advogado-geral da União, Jorge Messias, e
o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, diante do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva (PT). A informação
é da coluna da jornaista Marcela Mattos, do UOL.
O episódio ocorreu no dia 4, no gabinete
presidencial, quando Messias questionou Andrei se a PF estaria monitorando seu
telefone. Segundo relatos de pessoas que tiveram conhecimento da conversa, o
encontro foi tenso, com troca de acusações e xingamentos.
Andrei Rodrigues negou qualquer tipo de
monitoramento contra o chefe da AGU. A pessoas próximas, porém, afirmou que
considerou a postura de Messias um “chilique” e disse que ele deveria “dar
sermão na igreja, e não no Planalto”.
O episódio ocorreu um dia depois de Alexandre de
Moraes retirar o sigilo de um relatório de inteligência da PF que questionava
decisões do ministro André Mendonça nas investigações do Banco Master. O
documento também mencionava uma possível omissão de Messias e trazia a
expressão “autoriza monitoramento e coleta dirigida”, o que aumentou a
desconfiança do advogado-geral.
Quatro dias depois do encontro, Mendonça determinou
o afastamento de Andrei Rodrigues do comando da PF, alegando que a inteligência
da corporação havia realizado um “monitoramento sistemático” e “ilícito” contra
ele e Messias.
A crise ganhou outro capítulo quando Messias
recorreu da decisão. Andrei telefonou ao ministro e afirmou: “Você está
proibido de recorrer em meu nome”. Messias respondeu que recorreria “em nome do
presidente da República”.
O diretor da PF então recusou a assistência da AGU,
contratou uma advogada particular e conseguiu uma decisão favorável do ministro
Flávio Dino para retornar ao cargo. Posteriormente, o presidente do STF, Edson
Fachin, derrubou as decisões de Dino e de Mendonça e determinou novas
manifestações dos envolvidos.
As divergências entre Messias e Andrei já vinham se
acumulando desde julho, quando a PF pediu que a AGU contestasse decisões de
Mendonça. A Advocacia-Geral recusou, alegando falta de competência para atuar
na esfera criminal e riscos para as investigações.
O caso aprofundou as fissuras dentro do governo em
torno da investigação do Banco Master e passou a envolver também ministros do
STF e integrantes do Palácio do Planalto.

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