Investigações da Polícia Federal que envolvem Fábio
Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente Lula
(PT), alcançaram ao menos quatro integrantes ou ex-integrantes do governo
federal. Mensagens e movimentações financeiras são analisadas pela PF em três
inquéritos que apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência.
A PF suspeita que a lobista Roberta Luchsinger
atuava na defesa de interesses privados junto a órgãos federais em parceria com
dois sócios ocultos: Lulinha e o empresário Fernando Bittar.
Veja quem são os quatro nomes citados nas
investigações:
Ranniêr Costa Ciríaco
Segundo mensagens analisadas pela Polícia Federal,
Roberta Luchsinger orientou seu motorista e auxiliar, Ulisses Barbosa, a fazer
depósitos em contas de Ranniêr, secretário-executivo adjunto do Ministério do
Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), de outro funcionário da pasta e de
uma terceira pessoa. O dinheiro, de acordo com as conversas, fazia parte de R$
60 mil mantidos em espécie pela lobista.
Seis meses depois dos repasses mencionados pela PF,
a pasta fechou contrato com um empresário de tecnologia representado pela
lobista.
O MDS foi procurado pela Folha nesta quarta-feira
(23), mas não havia se manifestado até a última atualização deste texto.
José Martinho Ferreira de Araújo
O coordenador do cerimonial do ministro Wellington
Dias no MDS aparece nas mesmas mensagens em que Roberta teria determinado a
distribuição dos R$ 60 mil mantidos em espécie. Segundo a PF, uma das contas
indicadas para receber os recursos era de José Martinho, enquanto outra
pertenceria a uma parente dele.
Marco Aurélio Santana Ribeiro, "Marcola"
Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como
Marcola, foi chefe de gabinete de Lula e um dos auxiliares mais próximos do
presidente. Ele deixou o Palácio do Planalto para atuar na campanha de
reeleição do petista, mas posteriormente também saiu da equipe eleitoral após a
divulgação das suspeitas envolvendo sua relação financeira com Roberta
Luchsinger.
Segundo a PF, a lobista pagou cerca de R$ 217 mil em
despesas de Marcola durante 2024, entre faturas de cartão de crédito, parcelas
relacionadas a um veículo e outros gastos.
Os pagamentos coincidiram com tratativas em que
Roberta buscava, com auxílio de Marcola, avançar interesses privados junto ao
Ministério da Saúde e a integrantes do gabinete presidencial.
A defesa de Marcola afirma que os valores estavam
relacionados a um empréstimo pessoal que teria sido integralmente quitado.
Também diz que ele jamais intermediou negociações ou encaminhou documentos
relacionados a compras e licitações no Ministério da Saúde, na Anvisa ou em
outros órgãos federais.
Swedenberger Barbosa
Swedenberger do Nascimento Barbosa, conhecido como
Berger, foi secretário-executivo do Ministério da Saúde e hoje ocupa o cargo de
chefe de gabinete adjunto da Presidência da República. Ele aparece em conversas
obtidas pela PF sobre reuniões e tentativas de avançar com negócios de
interesse de Roberta Luchsinger junto ao governo.
Mensagens de Lulinha também tratam de almoços com
Berger e Marcola. Segundo a Folha, ambos aparecem nas investigações em
tratativas relacionadas a contratos de interesse de Roberta com o governo. A PF
analisa as interlocuções para saber se houve atuação indevida em favor de
negócios privados.
O Ministério da Saúde afirma que nunca teve contrato
com a World Cannabis, empresa ligada às negociações investigadas.
Swedenberger não tem se manifestado sobre o caso.
Segundo a Folha, ele disse a interlocutores que uma de suas funções era receber
pessoas e encaminhar demandas para análise técnica e que não deu andamento à
proposta apresentada por Roberta.
O que dizem Lulinha e Roberta Luchsinger
A defesa de Lulinha afirma que não é possível
confirmar a autenticidade das conversas usadas nas investigações e diz que ele
não tem relação com os pagamentos. Também questiona a cadeia de custódia das
provas e afirma que as conclusões da PF se baseiam em inferências não
conclusivas.
Procurada, a defesa de Roberta Luchsinger não se
manifestou. Anteriormente, afirmou que não se posicionaria sobre inquérito sob
sigilo.
Os três inquéritos envolvendo Lulinha e Luchsinger
tramitam no STF e foram abertos a partir de elementos encontrados nas buscas e
quebras de sigilo da Operação Sem Desconto.
Folha de São Paulo

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