O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou,
durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado, que as
suspeitas envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e ministros do Supremo
Tribunal Federal (STF) revelam uma infiltração do crime organizado nas mais
altas instâncias do Judiciário brasileiro. "É uma infiltração profunda do
crime organizado. E crime organizado não é só pobre armado em favela. O Brasil
tem que entender isso de uma vez por todas. Essa infiltração do crime
organizado chega às mais altas cortes. Falo isso desde fevereiro de 2019",
declarou o senador.
Segundo Vieira, o quadro atual — que inclui
vazamentos do conteúdo do celular de Vorcaro e questionamentos sobre relações
financeiras e sociais entre o banqueiro e magistrados — representa a
materialização de suspeitas já apontadas por ele há mais de seis anos.
"Tudo aquilo que a gente materializou no relatório da CPI do crime
organizado é o que tá aí em discussão", afirmou, referindo-se a trabalhos
anteriores do Congresso sobre o tema.
Histórico de omissões desde 2019
O senador apresentou um retrospecto de tentativas
frustradas de investigar a conduta de ministros de cortes superiores,
atribuindo a inércia do Congresso a um quadro de "reiterada omissão e
cumplicidade" de autoridades que teria permitido a expansão desse sistema.
Ele recordou que, em fevereiro de 2019, apresentou requerimento para a criação
da chamada "CPI da Toga", destinada a apurar a conduta de ministros
de cortes superiores — comissão que, segundo ele, reunia todos os requisitos
constitucionais, mas nunca foi instalada por decisão do então presidente e
atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Vieira também retomou a origem do chamado "inquérito
das fake news", criado em 2019 como reação a um trabalho da Receita
Federal que identificava evolução patrimonial supostamente injustificada de
cerca de 130 figuras da República, entre elas as esposas dos então ministros
Dias Toffoli e Gilmar Mendes. "O primeiro ato desse inquérito, que na
minha visão sempre foi ilegal e permanece ilegal, foi justamente o desfazimento
desse grupo, a perseguição e punição dos auditores e a censura dos veículos de
imprensa que publicavam aquelas matérias", afirmou.
CPI sobre Vorcaro parada há meses
O senador informou que um pedido de CPI para apurar
a relação entre Vorcaro e ministros do STF — nominalmente Alexandre de Moraes e
Dias Toffoli — já conta com 40 assinaturas de parlamentares, mas permanece sem
andamento na Mesa do Senado há cerca de cinco ou seis meses. "O presidente
da Casa, senador Davi Alcolumbre, se encontra incomunicável. Ele não responde a
solicitações formais, ofícios, despachos ou telefonemas [.] e é também ele
citado nas relações por Daniel Vorcaro", disse, anunciando que impetraria,
ainda naquele dia, novo mandado de segurança exigindo a instauração da
comissão.
Vazamentos e sessão do STF
Vieira criticou o que descreveu como tentativa de
"tumultuar" a sessão do Supremo que discutia a investigação contra
Moraes, por meio de vazamentos direcionados a atingir os ministros Kassio Nunes
Marques e Luiz Fux, a partir de relações de seus filhos advogados com Vorcaro.
"A sessão de hoje do Supremo tem uma destinação muito taxativa: a relação
entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro", afirmou,
ressaltando que a discussão em curso trata apenas da possibilidade de abertura
de investigação, não de julgamento ou condenação do ministro.
Papel do Senado e eleições
Ao concluir, Vieira defendeu que o Congresso esgote
todas as possibilidades legais para avançar nas apurações, mas reconheceu que a
resposta final poderá vir das urnas. "Aquilo que nós não conseguirmos
resolver, o eleitor vai resolver daqui a menos de 20 dias. Porque a covardia
não merece voto, a cumplicidade não merece voto", afirmou.

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