A campanha de Lula (PT) chega à reta final sem
encontrar um ponto de virada porque o presidente e o partido se recusaram a
reconhecer os próprios erros. A avaliação é da jornalista Dora Kramer, em
coluna publicada nesta segunda-feira (28) na Folha de S.Paulo.
Para a colunista, o PT subestimou Flávio Bolsonaro
(PL) ao tratá-lo como um adversário fácil. A má avaliação do governo, a força
da identificação bolsonarista e a “soberba petista”, afirma, acabaram criando
um cenário de empate e aproximando Flávio de uma vitória antes considerada
improvável.
Dora classifica a reação da campanha governista como
tardia, improvisada e baseada em medidas populistas. Para ela, o governo agiu
como se a parcela mais pobre do eleitorado estivesse sempre disponível para ser
conquistada por benefícios de última hora, ignorando o desgaste provocado pela
longa permanência de Lula e do PT no poder.
“Não se ouviu o bom conselho da autocrítica que
facilita o discernimento entre desejo e realidade”, escreveu. Na análise da
jornalista, o corre-corre final ainda pode recuperar votos, mas não resolve a
falta de um projeto de futuro nem garante que Lula e o PT conduzam o país a um
bom caminho nos próximos quatro anos.

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