A Polícia Federal afirmou que a Advocacia-Geral da
União (AGU) decidiu não recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra decisões do
ministro André Mendonça para evitar desgaste na relação entre ele e o
advogado-geral da União, Jorge Messias.
A informação consta em relatórios da PF divulgados
nesta quinta-feira (3). Segundo os documentos, a “preservação de relação
política” entre Messias e Mendonça teria sido um dos fatores considerados pela
AGU. O relatório também cita manifestações públicas de apoio de Mendonça à
indicação de Messias para o STF e a proximidade religiosa entre os dois.
A PF aponta ainda outras três possíveis razões para
a decisão: entendimento jurídico de que os recursos não seriam cabíveis,
cautela para evitar confronto com um ministro do STF e uma avaliação política
do governo, já que as investigações envolviam Fábio Luís Lula da Silva, o
Lulinha.
Os documentos foram usados por Alexandre de Moraes
para fundamentar um pedido de investigação contra Mendonça por suspeitas de
abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. O
presidente do STF, Edson Fachin, determinou que Moraes, Mendonça, Messias e o
diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prestem esclarecimentos em cinco dias.
Moraes acusa Mendonça de conduzir de forma parcial
investigações sobre fraudes no INSS e o Banco Master e de ter direcionado apurações
contra autoridades por motivos pessoais e políticos. Mendonça ainda não se
manifestou sobre as acusações.

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