Por
Andreza Matais – Metrópoles
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),
Edson Fachin, chamou ministros da Corte para conversas nesta semana sobre a
crise no tribunal. Os encontros devem ocorrer nos próximos dias, sem que esteja
definido se Fachin reunirá o grupo ou falará individualmente com os colegas.
Quem conversou com Fachin relata que ele gostaria de
tomar uma decisão sobre a situação de Alexandre de Moraes, mas vem sendo
alertado de que nenhuma medida avançará sem o consenso dos integrantes do
tribunal.
Se houver, por exemplo, uma proposta para que Moraes
se afaste até que o caso seja analisado, o grupo mais próximo ao ministro
deverá cobrar reciprocidade em relação a André Mendonça. Moraes acusa o relator
do caso Master de agir com parcialidade e de direcionar as investigações para
atingi-lo, avançando o inquérito de forma ilegal.
A maior preocupação entre ministros do Supremo hoje
é a possibilidade de Fachin convocar uma reunião do plenário para tratar da
crise. “Se fizer isso, a reunião começa, mas não termina”, resume um ministro,
numa referência ao grau de tensão entre André Mendonça e Alexandre de Moraes,
que se enfrentariam diante das câmeras.
Há ainda um componente que torna o encontro mais
delicado: Moraes e Mendonça sentam lado a lado no plenário, seguindo a ordem de
antiguidade na Corte. Os dois já tiveram um confronto que, por pouco, não
chegou às vias de fato. Uma saída seria levar o assunto ao plenário virtual,
onde os ministros apresentam seus votos eletronicamente, sem a necessidade de
se reunirem presencialmente.
As manifestações de 7 de Setembro eram vistas como
um ponto de tensão entre ministros do Supremo caso conseguissem reunir uma
massa expressiva de pessoas sem coloração partidária.
Não foi o que ocorreu. A direita se apropriou
do discurso contra a Corte, o que reduz o impacto da pressão sobre os ministros.
A avaliação é que o efeito seria diferente se a insatisfação com o Supremo
tivesse se mostrado uma agenda mais ampla do eleitorado, e não identificada com
um campo político.
Por
Andreza Matais – Metrópoles

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