As acusações que pesam contra o diretor-geral da
Polícia Federal do governo Lula (PT), Andrei Rodrigues, alvo de uma
determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça,
nesta terça-feira (8), para ser afastado do cargo por espionagem, elaboração de
relatório apócrifo e vazamento de informações, são muito mais graves do que os
fatos que levaram à condenação e à exoneração do ex-diretor geral da Polícia
Rodoviária Federal (PRF) do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),
Silvinei Vasques.
No fim de 2025, Silvinei foi condenado a uma pena de
24 anos e 6 meses de prisão pela Primeira Turma do STF. Ele foi acusado pela
Procuradoria-Geral da República (PGR) de ordenar o bloqueio de estradas e
blitzes no segundo turno das eleições de 2022, principalmente na região
Nordeste, para supostamente dificultar o acesso de eleitores do então candidato
Luiz Inácio Lula da Silva, adversário de Jair Bolsonaro, aos locais de votação.
No dia 21 de agosto de 2026, o ministro Alexandre de
Moraes determinou a cassação da aposentadoria de Silvinei Vasques no cargo de
Policial Rodoviário Federal. Ele cumpre pena na ala especial do Complexo
Penitenciário da Papuda, conhecida como “Papudinha”, localizada em Brasília
(DF).
Já Andrei Rodrigues, atual diretor-geral da PF,
segundo a decisão do ministro André Mendonça, encaminhou ao ministro Alexandre
de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, ao menos seis “relatórios de
inteligência” produzidos de forma sigilosa entre 3 e 31 de agosto de 2026.
André Mendonça também cita que foi alvo de um
“monitoramento sistemático e ilegal” da Polícia Federal durante mais de 30
dias. Além de Mendonça, o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, também
foi alvo de monitoramento e de “coleta dirigida” de informações.
Mendonça cita também o “relatório apócrifo” que
teria sido produzido pela PF e usado pelo ministro Alexandre de Moraes para
questionar sua atuação no caso do Banco Master. Na decisão, o magistrado afirma
que o documento contém “elevadas abstrações, elucubrações estapafúrdias e
juízos subjetivos de toda ordem”.
Outro ponto considerado de extrema gravidade pelo
relator foi o vazamento de informações sigilosas decorrente da publicização
desses relatórios. O material continha detalhes sobre investigações em
andamento e pendentes de decisão judicial envolvendo o presidente Nacional do
União Brasil Antônio Rueda e o candidato ao Governo da Bahia ACM Neto. Mendonça
enfatizou que a divulgação prévia revelou as potenciais medidas cautelares aos
alvos, “frustrando completamente a sua eficácia e prejudicando efetivamente as
investigações”.

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