O jornal O Estado de S.
Paulo publicou nesta quinta-feira (3) o editorial “Um apelo ao que resta do
Supremo”, no qual cobra ação institucional diante dos indícios reunidos pela
Polícia Federal sobre a relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o
banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso do Banco Master por fraude
bilionária.
A notícia é do Diário
do Poder. O texto destaca declaração do presidente da Corte, ministro Edson
Fachin, segundo a qual os indícios “reclamam o devido encaminhamento
institucional” e o cargo de ministro “não confere privilégios, mas impõe
deveres”. Fachin anunciou que tomará medidas “no tempo devido e sem
precipitação”. Para o Estadão, o pronunciamento é insuficiente, mas representa
um sinal de que ainda resta “vida republicana” no tribunal.
O jornal defende que o
relatório da PF seja levado o quanto antes ao plenário do STF, em sessão
pública e presencial. Caso isso ocorra, o editorial faz um apelo direto aos
ministros que ainda colocam a instituição acima de interesses pessoais para que
manifestem “sem medo seu horror diante do colapso moral que ameaça o STF”. O
texto reconhece que a tarefa não será fácil, dada a “conhecida truculência de
alguns ministros”, mas afirma que o País precisa saber se ainda há “genuínos e
destemidos republicanos” na Corte.
O editorial rejeita
qualquer novo “arranjo clandestino”, em referência ao que considera ter
ocorrido para acomodar a suspeição do ministro Dias Toffoli como primeiro
relator do caso Master. Segundo o jornal, o relatório da PF documenta que
Vorcaro tratava Moraes “como um funcionário regiamente pago”, cobrando
providências que “nem a um advogado se cobra”. O Estadão afirma que as relações
entre o investigado pela que descreve como a maior fraude financeira já
praticada no País e um ministro do Supremo estão documentadas.
Ainda que a existência
de crimes só possa ser definida por investigação técnica e julgamento justo, o
jornal sustenta que Moraes “já é um estorvo para o STF” e que sua permanência
se tornou “o maior problema do Poder Judiciário desde a redemocratização”. A
necessidade de afastamento — voluntário ou por impeachment — seria, segundo o
texto, uma questão moral anterior a qualquer apuração sobre prevaricação,
advocacia administrativa, obstrução de justiça ou corrupção passiva.
O editorial também
menciona a relação de Toffoli com Vorcaro por meio de investimentos no resort
Tayayá e pede que o plenário autorize investigação sobre a conduta de ambos.
Fachin, como presidente, teria o dever de evitar um desfecho em que a Corte
proteja um de seus membros por corporativismo. O jornal alerta que, se o
destino pessoal de Moraes não for desassociado do destino da instituição, o STF
“morrerá abraçado a um dos seus”, com consequências imprevisíveis que, no
limite, poderiam incluir desobediência civil.
A sobrevivência moral
do Supremo como conhecido desde 1988, conclui o texto, depende da capacidade
dos ministros de demonstrar à Nação a diferença entre proteger um colega e
proteger a instituição.

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