O Congresso dos Estados Unidos avançou nas últimas
semanas em investigações relacionadas à resposta do governo americano à
pandemia de Covid-19, com divulgação de documentos oficiais, depoimentos e
votações que reacenderam o debate sobre decisões tomadas entre 2020 e 2021. Os
trabalhos são conduzidos por diferentes comissões do Senado e da Câmara, com
destaque para a Comissão de Segurança Interna e Assuntos Governamentais do
Senado, presidida pelo senador Rand Paul (R-KY), e a Subcomissão Permanente de
Investigações, comandada pelo senador Ron Johnson (R-WI).
Em 5 de agosto de 2026, o Departamento de Saúde e
Serviços Humanos (HHS) entregou ao Congresso o conteúdo do telefone funcional
de Anthony Fauci, ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças
Infecciosas (NIAID) e principal rosto da resposta sanitária americana durante a
pandemia. O aparelho contém mais de 34 mil mensagens de texto e 522 mensagens
de voz. Em 10 de agosto, os senadores Johnson e Paul divulgaram uma primeira
troca de mensagens, datada de janeiro de 2021, na qual Fauci, a então diretora
do CDC Rochelle Walensky e o então cirurgião-geral Vivek Murthy discutiam riscos
da vacina contra Covid-19 para gestantes.
Paralelamente, em 6 de agosto de 2026, a Comissão de
Segurança Interna do Senado votou por 8 a 5 para indiciar Fauci por desacato ao
Congresso, após ele invocar a Quinta Emenda da Constituição americana — que garante
o direito de não se autoincriminar — em todas as perguntas feitas durante um
depoimento sob intimação, ocorrido em finais de julho. A votação teve apoio
republicano e rejeição unânime dos democratas presentes. O advogado de Fauci,
David Schertler, classificou a decisão como um "ato político" e
defendeu o direito constitucional de seu cliente. O caso foi encaminhado ao
Departamento de Justiça para possível análise.
As investigações também têm avançado sobre a origem
do vírus. Em julho de 2026, o senador Rand Paul divulgou mensagens internas
trocadas entre os autores do artigo científico "The Proximal Origin of
SARS-CoV-2", publicado em 2020 na revista Nature Medicine e amplamente
citado por autoridades de saúde para descartar a hipótese de manipulação laboratorial
do vírus. Segundo os documentos, os próprios autores atribuíam, em conversas
privadas, probabilidades entre 10% e 30% para uma origem em laboratório —
divergindo do que expressaram publicamente no artigo científico.
Essas apurações se somam a relatórios anteriores do
Congresso, como o produzido pela Subcomissão Especial sobre a Pandemia de
Coronavírus da Câmara, concluído em dezembro de 2024, que reuniu conclusões
sobre o financiamento de pesquisas de "ganho de função" pelo
Instituto Nacional de Saúde (NIH), o funcionamento da Operação Warp Speed
(programa de desenvolvimento acelerado de vacinas) e falhas na fiscalização de
gastos públicos durante a crise sanitária. Além disso, um relatório de abril de
2026 da Subcomissão Permanente de Investigações do Senado apurou como agências
federais de saúde lidaram com sinais de segurança sobre efeitos adversos das
vacinas contra Covid-19, identificados internamente pela Food and Drug
Administration (FDA) a partir de 2021.
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