Auditores do Tribunal de Contas do Estado do Rio
Grande do Norte (TCE-RN) identificaram um superfaturamento de R$ 4,28
milhões em contratos da Prefeitura de Jucurutu,
no interior do Rio Grande do Norte.
Segundo o TCE, o município pagou R$ 6,4
milhões por 15 usinas de energia solar que, segundo os técnicos,
teriam valor de referência estimado em R$ 2,1 milhões.
A representação foi elaborada pela Diretoria de
Controle de Infraestrutura e Meio Ambiente (DIA) e encaminhada ao relator do
processo, conselheiro Gilberto Jales. O caso ainda será julgado pelo
tribunal.
Em nota, a Prefeitura de Jucurutu esclareceu que o
documento citado é uma manifestação preliminar da área técnica do TCE, que
ainda não passou por julgamento ou decisão. O município informou que ainda
não foi citado formalmente no processo e, assim que isso ocorrer, vai
apresentar as explicações e os documentos necessários. A prefeitura
declarou que colabora com o órgão de controle e que vai se manifestar nos autos
do processo.
A unidade técnica sugeriu o envio do caso ao
Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal.
O TCE-RN recomendou a citação dos gestores, servidores
e da empresa para apresentarem defesa, além de determinar que a prefeitura
suspenda novos pagamentos referentes ao saldo do contrato até o julgamento
definitivo.
Contratação para prédios públicos
As contratações somam R$ 6,9 milhões para o
fornecimento e a instalação de sistemas fotovoltaicos em prédios públicos. O
município fez duas adesões a uma ata de registro de preços gerenciada por um
consórcio de Mato Grosso.
Os auditores apontaram fragilidades no planejamento
da primeira contratação, citando a falta de estudos técnicos suficientes para
justificar a quantidade exigida.
Poucos meses depois, a prefeitura fez uma segunda
adesão para adquirir uma potência maior, sem demonstrar fatos novos ou
expansão estrutural que explicassem o aumento da demanda.
Na segunda compra, o TCE identificou a ausência de
memória de cálculo no Estudo Técnico Preliminar. A omissão comprometeu a
verificação de que a solução era adequada às necessidades da administração
municipal.
A pesquisa de preços também apresentou
falhas. Segundo a análise do TCE, as cotações teriam
sido feitas com poucos fornecedores e sem consultar outras fontes previstas em
lei, o que inviabilizou a comprovação de que os valores contratados eram
compatíveis com o mercado.
A representação questiona ainda os pareceres
jurídicos que aprovaram os procedimentos administrativos com esses problemas.
Desvio de finalidade em empréstimo
Os técnicos encontraram um possível desvio de
finalidade no uso de recursos de um empréstimo do Banco do Brasil, destinado à
implantação de projetos de energia renovável. Cerca de R$ 210 mil foram usados
para pagar serviços advocatícios, contrariando a legislação municipal e as
cláusulas do financiamento.
O relatório aponta indícios de irregularidades em
outros municípios potiguares que usaram a mesma ata de registro de preços. Há
repetição das mesmas empresas nos processos e possíveis vínculos profissionais
entre os participantes das cotações e a empresa contratada.

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