Enquanto parte da população de Tangará ainda convive
com problemas básicos de saneamento, a novidade que a gestão municipal decidiu
apresentar à cidade foi um novo "modelo" de tampa de esgoto. Não uma
obra de esgotamento sanitário concluída. Não uma rede ampliada. Não um
investimento estrutural que resolva o problema de fato. Um modelo de tampa.
Como mostra o vídeo, feito pelo Ativista Popular Zezinho Dantas.
É difícil não enxergar nisso um retrato fiel de como
andam as prioridades por aqui: enquanto o essencial segue represado —
literalmente —, o que chega até o cidadão é aparência de solução, não solução.
Pronta para o quê, exatamente?
Uma gestão que se apresenta como preparada precisa,
no mínimo, entregar preparo nos problemas que mais pesam no dia a dia da
população. Saneamento não é detalhe estético, é saúde pública. É o que evita
doença, é o que evita rua alagada e esgoto a céu aberto, é o que garante
dignidade básica a quem vive aqui.
Trocar prioridade por vitrine é escolha política. E
escolha política se cobra.
Descaso tem nome
Chamar as coisas pelo nome que têm não é
radicalismo, é responsabilidade de quem observa o que acontece na própria
cidade. Quando o anúncio de maior visibilidade é uma "novidade"
cosmética, enquanto a estrutura de esgoto segue defasada, o que fica evidente
não é avanço — é abandono disfarçado de novidade.
Tangará merece mais do que “tampa nova “ em cima de
problema velho.

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