A Polícia Federal investiga os laços entre o
empresário Cléber Ribas, dono da empresa de informática 3Structure, e Fábio Luís
Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT). A companhia de Ribas
acumulou R$ 58 milhões em contratos federais desde o início da atual gestão,
conforme apuração dos jornalistas Hugo Marques, Ricardo Chapola e Laryssa
Borges publicada pela revista Veja neste domingo (30).
Um dos três inquéritos contra Lulinha na Polícia
Federal examina conexões com a Dataprev e Ribas. Mensagens indicam que o
empresário contratou a lobista Roberta Luchsinger, apontada como sócia oculta
de Lulinha para destravar contratos na Dataprev e no Ministério do
Desenvolvimento e Assistência Social (MDS).
Em registros obtidos pelos investigadores, Lulinha
orienta a lobista a emitir nota fiscal para ser paga por Ribas, indício
interpretado como remuneração por tráfico de influência.
Em março de 2023, Luchsinger perguntou a Ribas se
ele queria falar com alguém de outro ministério. Ele respondeu que havia “uma
questão da Dataprev”. Ela prometeu verificar “quem está no comando”. Em abril,
a lobista organizou um jantar com a presença de Lulinha e de Fernando Bittar,
sócio do filho do presidente. “A ideia é aquela: vc contratar eles”, escreveu
ela. No mesmo mês, mencionou um encontro com Carlos Gabas, ex-ministro da
Previdência. Em maio, Ribas pediu reunião com Fábio e comentou a posse do novo
presidente da Dataprev.
Em setembro de 2024, Ribas firmou um acordo de não
persecução penal com o Ministério Público para evitar prisão por corrupção,
após investigações apontarem que ele intermediou R$ 218 mil em vantagens
indevidas a um ex-gestor do Mato Grosso entre 2006 e 2010. Apesar das
restrições judiciais do acordo que incluiu doações a entidades sociais e
abstenção de frequentar bares e casas de prostituição, o empresário visitou o
Palácio do Planalto em maio de 2024 e fechou novos contratos com o MDS, pasta
comandada por Wellington Dias. Ribas nega irregularidades.
Em sua defesa, o empresário minimiza as acusações e
atribui sua proximidade recente com Lulinha a um laço de amizade consolidado
após descobrir um câncer em junho de 2024, afirmando que o filho do presidente
chegou a raspar a cabeça em solidariedade à sua condição médica. A defesa de
Lulinha alega cooperação com as investigações e nega ilícitos, enquanto o
presidente Lula declarou que não interferirá nas apurações.
Com informações da Revista Veja e Diário
do Poder

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