A arena dos debates na TV começou neste domingo com
os embates nos estados. Já na corrida presidencial, a largada será no próximo
dia 23. No entanto, o confronto direto entre os dois principais adversários da
disputa presidencial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o
senador Flávio Bolsonaro (PL), não deve ocorrer no primeiro turno.
Teoricamente, o maior interesse em comparecer aos
estúdios é da oposição, que necessita de espaço na mídia para desgastar a
gestão atual. Mas, por ora, o PL veta, nos bastidores, a participação do filho
“zero um” do ex-presidente Jair Bolsonaro se o petista não estiver
presente.
A ausência do rival cria pontos de tensão para o
grupo conservador. A análise é a seguinte: Com o presidente Lula presente, os
holofotes se voltam contra a gestão atual, restando a Flávio Bolsonaro apenas
alguns confrontos diretos com os outros postulantes ao cargo.
Sem Lula na bancada, o parlamentar fluminense pode
atacar o governo livremente. Por outro lado, porém, passa a ser a principal
vitrine do programa.
Concorrentes na corrida ao Planalto como Ronaldo
Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) podem mirar suas
baterias contra o congressista do PL, cobrando inclusive o legado do governo de
seu pai.
Outra observação levantada é que os outros
opositores estão com pontuação baixa na pesquisa, sem chegar aos dois dígitos.
Não haveria, portanto, uma necessidade de entrar neste confronto, até porque
Flávio pode precisar de todos no segundo turno.
Até chegar o momento de Lula participar de debates,
a expectativa é de que Flávio também já esteja mais treinado. Há uma
preocupação sobre o preparo físico e emocional do candidato do PL para suportar
a pressão do embate ao vivo.
Em 2016, Flávio passou mal e quase desmaiou durante
um debate pela Prefeitura do Rio de Janeiro. Dez anos depois, ele está mais
calejado na política. No entanto, ainda não foi submetido a um teste de tamanha
tensão nacional.
Passar mal novamente na televisão seria um vexame
para a campanha. Sua ausência, contudo, geraria risco de transmitir sinal de
fraqueza.
Para a candidatura de Lula, a ausência gera menor
desgaste político. Embora a falta continue sendo um desrespeito ao eleitor, que
merece o confronto de ideias para decidir seu voto.
Além disso, há um histórico consolidado de
ausências. O próprio ex-presidente Jair Bolsonaro faltou a encontros no
primeiro turno de 2022, o que limita a margem para que o filho “Zero Um”
explore a ausência do petista.
A pragmática história do boicote ao 1º
turno
A recusa de candidatos à reeleição em participar de
confrontos na TV no primeiro turno é uma tática consolidada no País desde a
aprovação da emenda da reeleição, em 1997. O objetivo é sempre o mesmo:
preservar a vantagem nas pesquisas e evitar servir de escada para os
concorrentes.
- Fernando
Henrique Cardoso (1998): Ausentou-se de
todos os debates no primeiro turno. A eleição foi liquidada sem a
necessidade de um segundo turno.
- Luiz
Inácio Lula da Silva (2006): Faltou a
todos os confrontos da primeira fase da campanha, inclusive aos promovidos
por grandes redes como Band e TV Globo, retornando aos estúdios apenas no
segundo turno.
- Dilma
Rousseff (2014): Quebrou o padrão dos
antecessores e participou dos principais debates no primeiro e no segundo
turno.
- Jair
Bolsonaro (2022): Adotou um modelo
híbrido. Esteve presente nos debates da TV Bandeirantes e da TV Globo no
primeiro turno, mas faltou aos confrontos organizados por pools de
imprensa (como Veja/SBT/CNN e TV Aparecida). No segundo turno, compareceu
a todos os embates.
Estadão

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