quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Preço do tungstênio quadruplica e valor das exportações do minério cresce 356% no RN

 


As exportações de tungstênio do Rio Grande do Norte somaram US$ 6,8 milhões no primeiro semestre de 2026, o que representa um aumento de 356% ante US$ 1,5 milhão registrado no mesmo período de 2025. A alta no valor exportado se deu após valorização do produto no mercado internacional e levou o tungstênio à segunda posição entre os minerais que mais geram Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no estado, atrás apenas do ouro.

Conforme a Análise da Balança Comercial do RN – 2020 a 2026 (1º semestre), levantamento feito pelo Sebrae/RN, o principal vetor do avanço não foi a quantidade embarcada, mas o preço médio implícito: o valor Free On Board (FOB), que corresponde ao preço da mercadoria no ponto de embarque, passou de US$ 3,7 milhões em 2025 para US$ 6,8 milhões apenas no primeiro semestre de 2026.

O salto, porém, não foi acompanhado por aumento proporcional do volume embarcado. Ao contrário: foram exportadas cerca de 88,5 toneladas nos primeiros seis meses deste ano, enquanto todo o ano de 2025 registrou 193 toneladas. Com a redução do volume embarcado, o valor médio por quilo subiu de US$ 19,22 para US$ 76,98, ou seja, cerca de quatro vezes mais.

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec/RN) informou que de janeiro a julho de 2026 a arrecadação da CFEM no Rio Grande do Norte, proveniente do minério de tungstênio, foi da ordem de R$ 1,5 milhão. Esse valor corresponde a uma parcela significativa da arrecadação mineral do Estado, que alcançou aproximadamente R$ 17 milhões no mesmo período.

A produção potiguar está concentrada em Currais Novos, no Seridó, tradicional polo da xelita, minério do qual é extraído o tungstênio. Os Países Baixos foram o principal destino das exportações potiguares do minério.
O aumento do preço ocorre em um momento de mudanças no mercado internacional. A China, principal produtora mundial de tungstênio, vem restringindo as exportações do minério, enquanto a demanda cresce diante da importância estratégica do metal para setores da indústria de defesa, como a fabricação de munições e blindagens.

De acordo com o estudo do Sebrae, a combinação entre oferta mais limitada e procura aquecida contribuiu para levar o tungstênio a níveis recordes de preço em 2026. A valorização já começa a repercutir na atividade mineral do RN, segundo Mário Tavares, presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos (Sindiminerais-RN). “Está todo mundo correndo atrás de tungstênio”, afirmou o presidente.

Ainda segundo Mário Tavares, a mudança no mercado foi expressiva. Ele afirma que chegou a comercializar a xelita por cerca de R$ 0,50 por quilo há cinco anos, enquanto atualmente o preço praticado pode chegar a R$ 850 por quilo. “Hoje você chega em qualquer mina dessa, você tem que começar a conversar a partir de R$ 850. Então tá um preço muito bom, muito atrativo”, disse.

De acordo com o presidente, a maior demanda tornou economicamente viáveis áreas que antes eram descartadas, estimulando empresas e trabalhadores a retomarem locais de exploração e a buscarem novos depósitos no Estado.

Mário Tavares ainda afirma que o movimento já começa a gerar novos empregos e pode ampliar a produção potiguar. “Hoje mesmo um trabalhador ligou dizendo que tinha descoberto um depósito mineral de xelita”, conta.

Apesar do cenário favorável, o presidente aponta a disponibilidade de reservas de xelita como um dos principais obstáculos para a expansão da produção potiguar. “O que nós temos aqui no RN, até agora, são pequenas reservas”, afirmou.

Segundo a Sedec, as principais jazidas de xelita em operação no Rio Grande do Norte estão em Currais Novos, onde a atividade de mineração remonta à década de 1940 e já passou por períodos de paralisação em razão das oscilações de preços no mercado.

A pasta afirma que o mercado de tungstênio vem se aquecendo desde 2020, impulsionado inicialmente pelos impactos econômicos da guerra entre Rússia e Ucrânia e, posteriormente, pelas disputas comerciais e tarifárias internacionais.

“O fortalecimento dessa atividade representa importantes benefícios para a economia estadual, especialmente pela geração de empregos, aumento da arrecadação de impostos e movimentação da economia dos municípios produtores e do próprio Estado”, realça a pasta.

David Góis, gerente de Negócios, Inovação e Tecnologia do Sebrae-RN, aponta ainda que outro fator para a valorização do tungstênio é a forte utilização desse metal para a construção da indústria de defesa de armas, utilização em carros elétricos, baterias e microchips.

“Com as restrições impostas pela China, os mercados começaram a procurar outros fornecedores, e estados produtores, como o Rio Grande do Norte, estão se beneficiando desse momento de mercado”, comenta.

 

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