As exportações de tungstênio do Rio Grande do Norte
somaram US$ 6,8 milhões no primeiro semestre de 2026, o que representa um
aumento de 356% ante US$ 1,5 milhão registrado no mesmo período de 2025. A alta
no valor exportado se deu após valorização do produto no mercado internacional
e levou o tungstênio à segunda posição entre os minerais que mais geram
Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM) no estado,
atrás apenas do ouro.
Conforme a Análise da Balança Comercial do RN – 2020
a 2026 (1º semestre), levantamento feito pelo Sebrae/RN, o principal vetor do
avanço não foi a quantidade embarcada, mas o preço médio implícito: o valor
Free On Board (FOB), que corresponde ao preço da mercadoria no ponto de
embarque, passou de US$ 3,7 milhões em 2025 para US$ 6,8 milhões apenas no
primeiro semestre de 2026.
O salto, porém, não foi acompanhado por aumento
proporcional do volume embarcado. Ao contrário: foram exportadas cerca de 88,5
toneladas nos primeiros seis meses deste ano, enquanto todo o ano de 2025
registrou 193 toneladas. Com a redução do volume embarcado, o valor médio por
quilo subiu de US$ 19,22 para US$ 76,98, ou seja, cerca de quatro vezes mais.
A Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec/RN)
informou que de janeiro a julho de 2026 a arrecadação da CFEM no Rio Grande do
Norte, proveniente do minério de tungstênio, foi da ordem de R$ 1,5 milhão.
Esse valor corresponde a uma parcela significativa da arrecadação mineral do
Estado, que alcançou aproximadamente R$ 17 milhões no mesmo período.
A produção potiguar está concentrada em Currais
Novos, no Seridó, tradicional polo da xelita, minério do qual é extraído o
tungstênio. Os Países Baixos foram o principal destino das exportações
potiguares do minério.
O aumento do preço ocorre em um momento de mudanças no mercado internacional. A
China, principal produtora mundial de tungstênio, vem restringindo as exportações
do minério, enquanto a demanda cresce diante da importância estratégica do
metal para setores da indústria de defesa, como a fabricação de munições e
blindagens.
De acordo com o estudo do Sebrae, a combinação entre
oferta mais limitada e procura aquecida contribuiu para levar o tungstênio a
níveis recordes de preço em 2026. A valorização já começa a repercutir na
atividade mineral do RN, segundo Mário Tavares, presidente do Sindicato da
Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos (Sindiminerais-RN).
“Está todo mundo correndo atrás de tungstênio”, afirmou o presidente.
Ainda segundo Mário Tavares, a mudança no mercado
foi expressiva. Ele afirma que chegou a comercializar a xelita por cerca de R$
0,50 por quilo há cinco anos, enquanto atualmente o preço praticado pode chegar
a R$ 850 por quilo. “Hoje você chega em qualquer mina dessa, você tem que
começar a conversar a partir de R$ 850. Então tá um preço muito bom, muito
atrativo”, disse.
De acordo com o presidente, a maior demanda tornou
economicamente viáveis áreas que antes eram descartadas, estimulando empresas e
trabalhadores a retomarem locais de exploração e a buscarem novos depósitos no
Estado.
Mário Tavares ainda afirma que o movimento já começa
a gerar novos empregos e pode ampliar a produção potiguar. “Hoje mesmo um
trabalhador ligou dizendo que tinha descoberto um depósito mineral de xelita”,
conta.
Apesar do cenário favorável, o presidente aponta a
disponibilidade de reservas de xelita como um dos principais obstáculos para a
expansão da produção potiguar. “O que nós temos aqui no RN, até agora, são
pequenas reservas”, afirmou.
Segundo a Sedec, as principais jazidas de xelita em
operação no Rio Grande do Norte estão em Currais Novos, onde a atividade de
mineração remonta à década de 1940 e já passou por períodos de paralisação em
razão das oscilações de preços no mercado.
A pasta afirma que o mercado de tungstênio vem se
aquecendo desde 2020, impulsionado inicialmente pelos impactos econômicos da
guerra entre Rússia e Ucrânia e, posteriormente, pelas disputas comerciais e
tarifárias internacionais.
“O fortalecimento dessa atividade representa
importantes benefícios para a economia estadual, especialmente pela geração de
empregos, aumento da arrecadação de impostos e movimentação da economia dos
municípios produtores e do próprio Estado”, realça a pasta.
David Góis, gerente de Negócios, Inovação e
Tecnologia do Sebrae-RN, aponta ainda que outro fator para a valorização do
tungstênio é a forte utilização desse metal para a construção da indústria de
defesa de armas, utilização em carros elétricos, baterias e microchips.
“Com as restrições impostas pela China, os mercados
começaram a procurar outros fornecedores, e estados produtores, como o Rio
Grande do Norte, estão se beneficiando desse momento de mercado”, comenta.

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