O Rio Grande do Norte tem a quarta pior taxa de
ocupação do efetivo da Polícia Civil entre os estados brasileiros, segundo o
estudo "Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil 2026",
divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta terça-feira
(4).
🔎Ao
todo, o RN tem 14.886 agentes entre todas as forças de segurança do
Estado (veja lista abaixo).
De acordo com o levantamento, o estado conta
com 1.788 policiais civis para um quadro previsto em lei
de 5.150 cargos, o equivalente a 34,7% do efetivo ou
um déficit de 3.362 servidores. O índice fica bem abaixo da média
nacional, de 55,2%.
Apenas Rondônia (28,1%), Rio de Janeiro (34,2%) e
Paraíba (34,4%) apresentam situação mais crítica que a do Rio Grande do Norte,
conforme o estudo.
O g1 procurou a
Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) para
comentar os dados apresentados pelo levantamento. Não houve resposta até a
última atualização desta reportagem.
Números da Polícia Civil no RN
- Investigador/agente:
1.292;
- Escrivão:
271;
- Delegados:
225;
- Total:
1.788.
O estudo afirma que esse cenário pode provocar
sobrecarga das equipes, acúmulo de inquéritos e dificuldades para o desempenho
das atividades de investigação criminal e de polícia judiciária.
"Essa lacuna no quadro de pessoal evidencia um
descompasso estatístico distribuído de forma heterogênea entre os Estados,
refletindo a distância entre o planejamento das secretarias de segurança e a
disponibilidade real de recursos humanos", diz trecho do relatório.
Além do déficit na Polícia Civil, o relatório aponta
outros desafios para as forças de segurança do estado, como a maior proporção
de sargentos da PM no país e a falta de profissionais na corporação.
Raio-X das forças de segurança do Estado
- Polícia
Militar: 9.068;
- Polícia
Civil: 1.788;
- Polícia
Penal: 1.425;
- Corpo
de Bombeiros: 913;
- Perícia
Técnica: 579;
- Guarda
Municipal: 1.113.
Remuneração da Civil do RN
O levantamento também aponta que o Rio Grande do
Norte está entre os estados com menores remunerações médias em diferentes
carreiras da Polícia Civil.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a
combinação entre déficit de efetivo e remunerações abaixo da média nacional
pode reduzir a atratividade das carreiras e dificultar a recomposição dos
quadros das polícias civis pelos estados.
As remunerações levantadas pelo estudo:
- Escrivão: R$
9.985,66 (3ª menor do país), abaixo da média nacional de R$ 12.918,66;
- Investigador: R$
11.488,78 (7º menor do país), abaixo da média nacional de R$ 13.695,65;
- Delegado: R$
28.740,23 (4º menor do país), abaixo da média nacional de R$ 30.890,05.
PM: maior proporção de sargentos do país
e déficit de 35%
O Rio Grande do Norte conta atualmente com 9.068 policiais
militares na ativa e também opera com déficit de 35,6% (5.017 militares). A
legislação estadual prevê um quadro de 14.085 profissionais.
Além do pessoal na ativa, a corporação possui 4.292 servidores inativos.
Outro dado que chama a atenção é que, segundo o
levantamento, 61,8% dos policiais militares do estado são sargentos, a maior
proporção entre todas as unidades da federação. O número de sargentos no Rio
Grande do Norte é superior à soma de soldados e cabos (veja abaixo).
Números da Polícia Militar no RN
- Sargento:
5.607;
- Soldado:
1.388;
- Cabo:
980;
- Subtenente:
532;
- Tenente:
207;
- Major:
137;
- Tenente-coronel:
89;
- Capitão:
70;
- Coronel:
53;
- Aspirante
e alunos: 5;
- Total:
9.068.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública,
esse cenário evidencia um processo de "achatamento da pirâmide
hierárquica" ou "envelhecimento da tropa".
O fenômeno é associado à combinação de promoções por
antiguidade, poucos concursos e carreiras mais longas, o que faz com que parte
significativa do efetivo se concentre nas graduações intermediárias.
Ainda de acordo com o relatório, essa configuração
pode aumentar os custos com pessoal, reduzir a quantidade de policiais
diretamente empregados no policiamento ostensivo e dificultar a renovação das
corporações.
Outro indicador destacado pelo levantamento é a
remuneração dos profissionais da corporação. Segundo o estudo, o Rio Grande do
Norte registra a menor remuneração bruta média para soldados da Polícia Militar
entre os estados brasileiros: R$ 4.276,43.
Outras forças têm efetivo equilibrado e
baixa remuneração
Além das polícias Militar e Civil, outras
instituições que integram a segurança pública do Rio Grande do Norte também
apresentam desafios apontados pelo relatório "Raio-X das Forças de
Segurança Pública do Brasil 2026.
O Corpo de Bombeiros Militar do RN tem 913
profissionais e uma cobertura territorial acima da média nacional, com um
bombeiro para cada 58 km² — contra 135 km² na média brasileira. Apesar
disso, a corporação tem a menor remuneração média do país, com salário bruto
médio de R$ 7.825,98.
Na Perícia Oficial, o cenário também é crítico: o
estado registra a menor remuneração média bruta para peritos técnicos
do Brasil, com R$ 12.771,25, abaixo da média nacional de R$ 19,8 mil. O
órgão conta com 579 profissionais, entre peritos criminais, médicos legistas e
servidores auxiliares.
Já a Polícia Penal potiguar reúne 1.425
agentes e tem índice de ocupação de vagas superior à média nacional.
A categoria é a única entre as forças de segurança do estado com remuneração
média acima do padrão brasileiro: R$ 10.846,95, acima de média
nacional de R$ 9.876,76.
As Guardas Civis Municipais estão presentes em 41
municípios do RN, com 1.113 agentes. O relatório também aponta que uma cidade
potiguar, Vila Flor, mantém efetivo acima do limite previsto pelo Estatuto das
Guardas Municipais.
O levantamento ainda mostra o peso dos servidores
aposentados e da reserva: são 5.196 inativos ligados à
segurança pública no estado, sendo a maior parte formada por policiais
militares.
G1RN

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